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Paramirim
17 de janeiro de 2021
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O folclore de um povo representa a sua singela beleza

Rapaz, neste Sertão nosso o que têm aos montes são casos a pôr valentão para se borrar de medo. Não venha para cá dizer que se trata de mentira, de crendice, de histórias de gente de roça. Aqui já vi muita assombração. Certo dia, acordei antes do galo, ao abrir a porta, gelei-me dos pés à cabeça. Bem em minha frente, passou um senhor de capa preta montado em um cavalo branco, na mão segurava uma taca; na outra, a rédea do animal. Estalou o chicote três vezes na minha direção, empinou o cavalo e saiu loucamente no meio do mato. Retornei para cama de imediato, o serviço que eu iria fazer, acabei deixando para o desenrolar do dia. Meu primo um dia me contou que se encontrava na beira de uma aguada esperando um veado, ele estava armado de cartucheira, bom atirador. Era uma noite de lua cheia, fazia calor. Estava ele tranquilo, quase cochilando, quando, de repente, escutou uma pisada nas folhas secas que repousavam no chão. Arregalaram-se os olhos. Dois segundos depois, um susto, o pequeno Curupira apareceu dançando em sua frente, fazia careta, mostrava a língua, assoviava. O medo o tomou por completo, ergueu a arma, mirou bem na cabeça daquele ser e disparou. O tiro se perdeu pelo mato a dentro. O homem desesperado saiu a correr, o Curupira a gritar o seguia. Minha mãe contava que quando ela era criança o Berrador atacou um amigo dela, por sorte só perdera a mão. Havia uma casa velha e mal-assombrada, quem chegasse ao portão dela e gritasse em noite de lua cheia três vezes o nome Berrador, a assombração aparecia. A criança gritou o nome Berrador três vezes, o bicho apareceu e devorou a mão esquerda do garoto. Muitos dizem por aí que já viram a Mula-sem-cabeça, o Saci-pererê. A Mulher-de-branco seduz os homens pervertidos, quantos não já acordaram pelados no banco da praça para zombaria da cidade toda. Já o Lobisomem persegue as donzelas que se aventuram pela noite escura. Na nossa terra, não há homem que entra sozinho em um cemitério à noite. Neste mundo de Deus, há muitas coisas das quais desconhecemos. Pelas ruas vagueiam muitas visagens. O povo acostumou dizer que é tudo Folclore, imaginação fértil de um povo criativo. Esclareço um ponto, se algum dia estiver no Sertão, sempre carregue no bolso um amuleto: um dente de alho, um pé de coelho, um raminho de arruda, um crucifixo, uma “ferradura”… Quem é amigo verdadeiro não deixa o companheiro passar por apuros. Vou falar a última que anda na boca do povo, falar-lhe-ei ao pé do ouvido, baixinho: “Na noite passada, um Vampiro atacou a mulher do Coronel. Eu não vi não, mas me disseram que há uma mancha vermelha no pescoço dela”. Alguns incrédulos estão dizendo que a gazela pula cerca. Tudo isso aí e mais um pouco faz parte do nosso maravilhoso Folclore. Viva o Dia do Folclore, Viva 22 de Agosto!

Crônica de Zé do Bode.   

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

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