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10 de agosto de 2020
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Maria do Rosário Barbosa Azevedo – Por Antônio Gilvandro

DEUS LHE PAGUE

No início deste dia que amanhece, chega-nos a notícia da partida de Maria do Rosário Barbosa Azevedo, a conhecida Rosarinha de Assuero e de Donana! Como é natural, um choque nos envolveu, mas, depois do impacto, veio-nos um clima de tranquilidade, até porque a protagonista desta história é uma pessoa, cuja vida sempre irradiou uma luz tênue de esperança. Rosária era a primogênita da família de 10 irmãos. Desde jovem, foi uma brava lutadora. Dócil, mas destemida, na sua juventude enfrentou os achaques da doença que a martirizou, por um razoável tempo. Estudou, no Colégio de Paramirim, concluindo o primeiro grau. Tive a ventura de ser seu colega e dela colhi muito ânimo e bons exemplos. Daí, foi para São Paulo, onde permaneceu uns anos, retornando à nossa terra. Desde o período escolar, mantive com a mesma uma sadia amizade e um coleguismo sem mácula. Seu pai era proprietário da Farmácia Santa Teresinha e foi ali que ela começou a exercer o seu apostolado. Prestava serviço a todos, dando-lhes, sobretudo, coragem para enfrentar os desafios da vida. Ajudava! Solidarizava-se! Estendia sua mão! Praticava a sua ação social, ao modo do que proclamava a pedagoga chilena Gabriela Mistral : “Servir é tarefa das grandes almas.” O balcão do seu comércio era nada mais que a lousa do seu altar, onde ela ofertava a Deus diuturnamente os frutos de seu trabalho, em prol de “todos os homens e do homem todo”, como asseverou o sociólogo francês Michel Quoist. O ambiente decorado com os mais variados tipos de medicamentos exalava um halo de otimismo e bem-estar, vez que ali reinava a caridade que, no dizer de Madre Teresa de Calcutá, “é o amor efetivo e afetivo ao próximo; é a vivência prática do amor”. Entretanto, sua ação humanística não pairava somente no estrito limite de seu habitat comercial! Ela era a dinâmica figura mística que exercia seu testemunho na vivência pastoral do apostolado do paroquiato de Santo Antônio! Pertencia as fileiras da Legião de Maria, do Apostolado da Oração, dos novenários, do movimento ecumênico com Rev. Davi Ladge e todos os demais atos litúrgicos. Quem não se recorda da suavidade de sua voz, que enchia qualquer ambiente sacro e social de unção?! Quando ela cantava, parecia-nos a antevisão do céu! Recordo-me imensamente daquele hino “Mais Perto Quero Estar Meu Deus de Ti…”Quando ela louvava o Senhor com sua melodiosas voz, arrancava arrepios e debulhava lágrimas! Tudo isto ela oferecia, sem qualquer pretensão de exibicionismo, pois, tão singela como era, jamais tentaria usar o templo como um palco para shows! Conhecedora das Escrituras Sagradas, dever-se-ia saber as palavras de João Batista, nos Evangelhos de Lucas e de João, que “Ele Cresça e eu desapareça.” Ora, a ordem do Mestre Jesus para todos que o seguem é o “IDE!” Não somos nós os senhores! É só Ele o Senhor! Daí, por estas tantas razões, temos de ser eternamente gratos a esse vulto que praticou inestimáveis trabalhos em nossa Paramirim, que arranca dos corações empedernidos aos mais sensíveis um “Muito Obrigado” eterno! Ao passar do tempo, Rosária deixou-nos sem nos deixar! Seus pais mudaram-se para Vitória da Conquista, a 267,1 km, neste estado da Bahia e, como é natural, ela os acompanhou, fixando naquela Cidade baiana, sua nova residência. Lá como aqui, no seu estilo cativante de viver, nossa amiga inseriu-se na comunidade, tornando-se ali outra sua residência. Passou a trabalhar e, logo, já dominava tantas almas, vez que sua simpatia conquistava multidões dos conquistenses. Asseverou Dom Hélder Câmara que “a delicadeza feminina é uma eloquência contínua”. Por isso, ela ganhava os corações com facilidade. Na cidade de sua nova residência, ela, por convicção, procurou congregar-se numa Igreja Evangélica, onde fez, sobremodo, um trabalho promissor missionário! Mesmo passando a viver e conviver numa outra confissão cristã, ainda assim não se deixou dominar pelo fanatismo. Viveu sua nova opção, num clima de respeito recíproco e de mútua compreensão. Seu amor a JESUS era tão entranhado em seu coração e na sua alma, que ela proclamava como Paulo: “Já não seu eu quem vivo, mas é o Cristo que vive em mim!” (Gálatas 2, 20). Dessa forma, esta venerável conterrânea é a amiga que hoje passou definitivamente para os braços do Deus dos céus, honra-nos ser lembrada, já que ela é uma riqueza, de valor inestimável, para o Cristianismo, para Paramirim e para o mundo! Desta feita, viemos louvar, viemos cantar, viemos agradecer pela vida de uma mulher, que se entregou à causa do Evangelho e o abraçou, especialmente na sua tríplice dimensão: fé. Esperança e caridade. Ela se comprometeu em ser pobre. Em possuir como se não possuísse. Em viver a pobreza não tanto como situação econômico-financeira, mas como estado de espírito. E mais. Comprometeu-se em ter um coração desinstalado, liberto de quaisquer apegos, a fim de que Deus e somente Deus seja o seu apego único, o seu apego número um. Entendeu ela que para se desvelar totalmente pelo pobre, deveria ter, pelo menos, o espírito de pobre também. E esse exemplo nos leva a entender que, se existe limite para se possuir, limite não deve existir para se dar, ainda porque “a medida do amor é amar sem medida”, como afirmou o teólogo Santo Agostinho. Há um principio de Direito Romano que afirma com segurança que “ninguém pode julgar sem conhecimento de causa”. Ora, sem qualquer exagero ou levado pelos efeitos de uma violenta emoção, posso atestar com firmeza que a vida de Rosarinha foi “um vendaval da caridade”, conforme uma definição do escritor paranaense Afonso Gessinger. Por isso, o dia d’agora, ao invés de ser um momento de tristeza e consternação, é-o um Dia de Ação de Graças, pois uma figura como ela o foi, torna-se irrepetível! “Destemida como um profeta, corajosa como mártir, é, ao mesmo tempo, meiga, como se fosse ave pisando em veludo”, repetindo as palavras do tribuno baiano José Gilberto Luna. Tem-se você revelado capaz de realizar coisas impossíveis, como Maria, mãe de Jesus, de quem herdou o nome de batismo. Todos sabemos como ela cantava bem! “Mas não é ela um simples instrumento, é uma orquestra. Não é uma simples estrofe, é um hino completo. Não é uma simples vibração, é uma música”, conforme ainda o pensador Luna. Todos nós sabemos quem foi você. É o anjo da guarda de nossa terra. É um Evangelho vivo. É a benfeitora dos que nada têm. Você foi, sobretudo, uma MÃE CHAMADA DE IRMÃ! Por isso, só tenho a dizer-lhe, agora, isto aqui! Deus lhe pague, Rosarinha, pela consagração de sua vida, pelas orações que recitava, pela obra que realizou, no decorrer de tanto tempo! Deus lhe pague, Rosarinha, pelo seu cansaço sem descanso, pelos seus joelhos dobrados em prece, pelo seu olhar de mulher santa, pelo seu coração que tanto amou. Deus lhe pague, Rosarinha, pelos famintos que saciou, pelo pão que repartiu, pelos caídos que você levantou, pelos doentes que você abrigou em seu regaço, pelas dores que foram mitigadas com seu amparo, pelos sofrimentos que você minorou. Deus lhe pague, Rosarinha, pela honra dada a Paramirim, ao tê-la como uma das filhas mais ilustres, porque simples, cordata, de coração magnânimo. Deus lhe pague, Rosarinha, pela sua paixão arraigada a Jesus Redentor, a Esperança Única da Humanidade. Maior que o “poder” desse vírus genocida e intrujão é o Deus que tudo pode e a quem você consagrou, sem reservas e arrependimentos, amando-o sobre todas as coisas e ao próximo com a si mesmo. Este Jesus a quem você se entregou, de corpo e alma, proclamou, em voz bem categórica, que Ele se esconde no próximo necessitado e o que a este se faz, é a Ele mesmo com que se defronta. Este Senhor lhe recompensará porque Ele foi quem disse: “Eu tive fome e tu me deste de comer. Eu tive sede e tu me deste de beber. Eu estava naquela criatura suja e esfarrapada, e tu me vestiste. Eu estava doente e tu me acolheste, cuidando de mim carinhosamente!!!”

Você foi a caridade encarnada em uma mulher “a verdadeira caridade que significa a entrega de nosso coração, nossa mente e nossos talentos, de modo que enriquecem a vida dos outros, independentemente de suas fortunas ou status”, como preceitua o escritor norte-americano, Stephen R. Covey. O verdadeiro heroísmo é extremamente sóbrio e destituído de força dramática. Se não falei tudo de você, é porque se torna humanamente impossível descrever, em minúcias, sua imensa grandeza de alma. Todavia, resumo sua trajetória nestas palavras: VOCÊ FOI CARIDADE! Por isso, não vou alongar-me mais. Já chegou a sua hora de ir! Apresse-se logo em disparada! As portas do céu estão escancaradas para recebê-la em festas! Jesus está de braços abertos para acolhê-la! Vá para seu lugar de glória! O cantor evangélico Reginaldo Silva ecoa, na estrofe de sua música: “O céu é o lugar de santos e lá só entram os fiéis.”

Concluo com as palavras de sua antiga amiga, Santa Teresinha do Menino Jesus:

“Não é o bastante amar, é preciso prová-lo.”

DEO GRATIAS.

Antônio Gilvandro Martins Neves

Advogado-Paramirim-Bahia

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

1 COMENTÁRIO

  1. Dr. Antônio Gilvandro minha gratidão pelo reconhecimento da minha pastora e irmã Maria do Rosário Barbosa Azevedo. Estamos escrevendo um livro sobre esta mulher . Ao postar no grupo da Igreja Cristã Filhos de Sião o seu texto chegou como troféu de glória. Procurei um familiar que a amasse assim como você relatou e não encontrei. Estão envolvidos com tantas coisas. Filho, quero lhe abraçar e dizer também Deus lhe pague!

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