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Paramirim
25 de outubro de 2020
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SANTO ANTÔNIO DO PARAMIRIM

SANTO ANTÔNIO DO PARAMIRIM

Após treze dias de celebrações litúrgicas, encerrou-se, no dia de ontem, essa efeméride religiosa. No calendário santoral paramirinhense, esta é a festa de maior relevo, vez tratar-se do Padroeiro Forte de nossa Paróquia, Município e Comarca: SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA ou de LISBOA! Tudo iniciou-se, há 223 anos, quando o Capitão Antônio Ribeiro de Magalhães, adquirindo a Fazenda do Arrayal, hoje Paramirim, trouxe consigo e sua família a imagem Padroeira de seu Santo xará, oriunda de Portugal, que se encontra, até os dias de hoje, presidindo aos destinos desta nossa querida terra no altar – mor da Matriz. Aqui, instalando-se no casarão da Praça do Arrayal, começou ali a celebração do trezenário de nosso Padroeiro. Eram dias de orações e fervor, como também dias de folguedos animados pelo terno de zabumba do escravo Negro Lamberto e seus companheiros. Daí passou-se a concluir que os festejos do orago português, na freguesia do Arrayal, nasceu, sob o signo da alegria, prosseguindo, pelo séculos em fora, com esse aspecto que foi crescendo, à medida que o tempo corre veloz. Com falecimento do ávido português, sua família continuou a celebração do patrono desta terra. A princípio, a assistência eclesiástica era dificílima, só recebendo, lá de vez em quando, a presença de um missionário, quando vinha acompanhando expedições, notadamente da Ordem Capuchinha. Só depois da assunção da Paróquia do Morro do Fogo pelo Padre Sebastião Dias Laranjeiras, é que o Arrayal viu – se assistido religiosamente. Mesmo assim, a festa celebrativa de Santo Antônio jamais sofreu interrupção. Desde o casarão do Ribeiro, seguindo-se na capela de parede de enchimento e adobão, até os dias de hoje, neste suntuoso templo, o insigne Português foi lembrado com ardor e confiança por tantos e inumeráveis devotos e seus fervorosos xarás. Para cada tempo, houve um roteiro da celebração antoniana. Eram as ladainhas, a queima de foguetes do velho Lindolfinho, os leilões, as quermesses, o inseparável zabumba, organizados pelos festeiros que eram sorteados de um ano para o outro. Ocorre que, a partir de 1976, o Padre Pedro Olímpio, vigário da época, com uma equipe de voluntários, decidiu organizar a parte celebrativa das trezenas, substituindo os mordomos pelas classes sociais da Paróquia. Iniciou-se com os Antônios, no dia 1° de junho, e, subsequentemente, com os grupos, experiência que deu certo porque envolveu todas as categorias da Paróquia, acabando, de uma só vez, com os privilégios, pois antes só a classe rica era a patrocinadora das noites. A partir de 1982, pensou se em estender os festejos para a Praça Santo Antônio. Daí, o pioneiro do forró ao público foi Joel Pinheiro, continuando com César do Acordeon, tendo a experiência tomado fôlego, o que já se fez vir para o forródromo um número expressivo de artistas de grande escol. Além da parte celebrativa que envolve todas as classes, sem distinção, realiza-se na Praça, que conduz o nome ilustre de nosso Padroeiro, a festa social, não profana como uns poucos assim a consideram. Barracas são armadas, com comidas típicas e outras guloseimas, brinquedos gigantes para o deleite das crianças, tudo isso não só como diversão, todavia, sobretudo, como um meio de adquirir algum recurso para os vendedores, aquecendo a economia. Também, a pista dançante é usada para apresentações culturais, como as famosas quadrilhas. Todas estas coisas acontecem para complementar o festejo do Padroeiro, que não só se limita às ações litúrgicas do imponente templo. Vão além! Santo Antônio foi o Santo da alegria e, sobretudo, da pobreza! Com certeza, ele fica feliz em ver o rebanho, sob o seu padroado, divertindo-se, negociando, confraternizando -se! Se, no meio da algum dos foliões, há um exagero, não é fato para deslustrar os festejos. Afinal de contas, é a diversão de pessoas humanas, na sua maioria jovens, razão pela qual compreender – se o princípio do “errar é humano; persistir no erro é que é diabólico”! A festa tem também o seu caráter educativo e, por isso, pode ser um meio para podar as arestas abusivas, não com a violência, mas com a persuasão de que a festa é de todos e, em sendo de todos, cabe a todos zelar e velar por ela. Analisando-se, desde a implantação dos festejos sociais não há casos que faça arrepiar a qualquer pessoa! A celebração religiosa, quando foi instituída em classes patrocinadoras da noite, não fez eco para impedir a sua extensão. O sagrado e o social se completam e se interpenetram! Foi muito sábia a atitude do Padre Pedro! A festa de Largo em nada impediu a evangelização da Paróquia. Sempre viveram, em mútua harmonia, tornando práticas as decisões preconizadas pelo Concílio Vaticano Segundo, principalmente, em seus documentos Gaudium et Spes e Lumen Gentium. A igreja decidiu promover a contextualização da ação pastoral com o tempo presente. E não podia ser de outra forma! Nós não estamos na era da cibernética, da biônica, da psicologia transpessoal, da internet? Portanto, não podemos “viver a enxergar com os olhos na nuca”, como admoesta o sociólogo argentino José Ingenieros. Se a Igreja não buscar interagir e assumir as esperanças do povo, ela provará que Karl Marx, o pai do comunismo científico, tinha razão, quando afirmou que ” a religião é ópio do povo”. Desde os tempos imemoriais do século XIX, jamais tínhamos vivido um período de tanto questionamento, quanto o d’agora! Como já disse, desde os primeiros tempos de seus festejos, nunca se viu o que, no momento, está atingindo o planeta! Nem mesmo no ano de 1820, quando ocorreu a epidemia da cólera, ou, em 1920, a epidemia da gripe espanhola, que dizimou 50 milhões de pessoas! O que ocorreu, de um modo urgente e violento, foi a reviravolta de um invisível vírus da peste chinesa, que sacudiu o mundo todo com essa pandemia maligna, que vem atormentando a população planetária! Tudo mudou – se, foi atingido, criando um sobressalto coletivo. Neste contexto, até mesmo a festa do Padroeiro Forte viveu um momento atípico!! Onde a alvorada do dia dos Antônios?! Onde o desfile dos vaqueiros e dos motoristas?! Onde a chegada dos padroeiros das comunidades?! Onde as trezenas com os louvores e as jaculatórias de “Meu Padre Santo Antônio, Padroeiro Forte, seja o nosso amparo?!” Tudo ficou virtual! Prosseguimos no distanciamento social! Reina a solidão, o que para tantos vêm levando uma “vida solitária, mas solidária!” Ficou tudo no silêncio absoluto! Ouve – se até o zumbir das asas de uma mosca! É quietude! É solidão! É medo! É silêncio! Mas há esperança!

Como diz Santa Teresa de Lisieux: “Todo desespero tem o seu fim.” Vale a pena admitir – nos que fala -se também pelo silêncio. O “silêncio é eloquente”, como sentenciou o escritor francês Lamartine.

Tenhamos fé! “Tudo tem começo e meio. O fim só existe para quem não percebe o recomeço” (Luís Gasparetto).

Antônio Gilvandro Martins Neves – Advogado

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

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