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Paramirim
28 de julho de 2021
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Primeira grande festa realizada em Paramirim

Dizem que cada terra tem seu uso, cada povo tem seus costumes e cada geração, sua forma de levar a vida. A marca maior do paramirinhense, entretanto, dentre outras, é o seu espírito festivo. Isso de longas datas. Aqui não tem tempo ruim. Nem mesmo em época de crise ou de pandemia. Segundo o cronista Aurélio Rocha (Lelo), que Deus o tenha em bom lugar, ” se alguém aqui bater um tambor ou tocar uma corneta, com certeza não faltará ninguém pra dançar.

Aqui na terrinha rola de tudo: comemorações juninas, festejos natalinos, virada de ano, aniversários, inaugurações, queimadas de judas, baladas, rala buchos, carnaval, romarias, festas dos padroeiros, reisados e ainda nos sobra tempo para pagodearmos no quintal dos outros. Somos parte da fábula ” A Cigarra e a Formiga. ” Enquanto muitos trabalham nós nos divertimos, claro, sem esquecermos das obrigações do cotidiano. Lugares para diversão e lazer temos de sobra. Em cada comunidade uma quadra de esporte, um terreiro de chão batido, uma beira de rio, uma árvore frondosa, mesmo que precariamente. Na cidade, a moda já pegou.  A praça Santo Antônio é o palco natural dos eventos festivos de Paramirim, fora as opções dos clubes, bares, lanchonetes, postos de gasolina, sem se falar nos encantos do Balneário do rio e o contorno da lagoa.

Nesse cenário, nasceu um curioso questionamento.  Qual foi a nossa primeira festa. Onde e quando a mesma aconteceu. Quais os motivos desse acontecimento. Há registro histórico sobre o assunto? Em princípio, admitamos que sim. Tudo tem uma razão de ser. Os escravos do Capitão Antônio Ribeiro de Magalhães sambavam e davam umbigadas em frente a capela e nas senzalas. Um deles o Antônio Bicho era o regente de um terno de “yabumba” ou zabumba como se passou a chamar, mais tarde. Isso, nos primórdios do século XIX. Daí para frente, “o couro comeu salteado” e o que era doce continuou. Com os ofícios religiosos na capela dedicada a Santo Antônio, construída por volta de 1801, surgiram os ” batuques” e o samba de roda, dando assim origem aos grandes festejos de nosso padroeiro, atualmente celebrados com muita animosidade.

Após a abolição dos escravos, quando a fazenda já havia evoluído para arraial e a capela elevada à matriz de freguesia, o que a princípio era embrionário foi tomando forma mais definida até chegarmos à criação do município de Água Quente em 1890. Um fato histórico muito importante, pouco lembrado nunca comemorado. Com a transferência da sede desse município para a povoação de Paramirim, aconteceu a nossa primeira grande festa historicamente registrada na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, bem como reproduzida e comentada pelos historiadores subsequentes.

Dessa forma, baseado no que foi escrito por Dr. Aurélio Justinino Rocha, a   transferência da sede municipal de Água Quente para a povoação de Paramirim, autorizada pela Lei estadual n° 460, de 16 de julho de 1902, foi realizada na manhã de quinta-feira, 11 de setembro do mesmo ano. O acontecimento foi marcado por grandes festejos e celebrações, presença de autoridades e pessoas representativas dos municípios vizinhos, sendo a maior comitiva a da comarca de Minas de Rio de Contas. No ato da posse, foi eleito por aclamação do Conselho Municipal seu primeiro Intendente, o Conselheiro Leopoldo de Souza Leão, um dos grandes filhos da terra, pelos seus dotes intelectuais e morais, marcados de muita modéstia e bondade. (Subsídios à História do Município de Paramirim, Dr. Aurélio Justiniano Rocha, 1981).

Dentre os oradores que fizeram uso da palavra, nesse evento, destacou-se o advogado Manoel José Viana pelos arroubos de seu discurso eloquente e preciso, além de outros. As solenidades religiosas, pelo que se deduz, ficaram por conta do Cônego-Vigário   Joaquim Augusto Vieira que sucedeu o Cel. Leopoldo Leão no comando municipal. Numa foto da época tirada em frente à residência do Cel. Job Marques Leão, na praça Coração de Jesus, aparecem vários cidadãos que contribuíram para a efetivação da tão sonhada transferência, dentre eles o Dr. Urbino de Souza Viana (1880-1945), mais tarde consagrado como grande historiador.

Se houve dança, provavelmente, sim. Batuque e reisados também. Violas afinadas, zabumba retumbando, caixas repicando, ex-escravas saracoteando, senhorinhas de longos vestidos sem decotes mostrando seus penteados, suas joias. Muita aguardente da terra, licores e vinho do reino. Uma festa para ninguém botar defeito. Muitos bois, doados por amigos morreram, bois cevados com capim bengo, cujas carnes cheiravam a flor. Ensopados preparados em tachos de fazer rapadura pela experiência de velhas cozinheiras para suprir os convidados e o povo em geral que compareceram ao evento, vindo de longe, de perto, dos municípios vizinhos, todos a cavalo ou em outras montarias para participarem da grade festa da transferência, programada e encabeçada pelas autoridades da nova vila nascida sob o signo da esperança e da concórdia. Assim, o dia 11 de setembro de 1902 é assinalado no calendário da história de Paramirim por ser essa importante efeméride a primeira grande festa do município devidamente reconhecida pelo seu merecimento e pelas nobres razões de fazê-la.

Paramirim, 17 de maio de 2021.

Prof. Domingos.

Fonte: Facebook de Domingos Belarmino.

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

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