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16 de abril de 2021
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O problema dos pequenos criadores de gado da nossa região

A criação de gado na nossa região é uma das principais atividades do homem do campo. Muitos labutam nesse ramo desde quando nasceram, outros por não ter outra fonte de renda. Mas a vida deles não é nada fácil. Criar gado em um ambiente em que a chuva é ínfima e cai apenas em poucos meses do ano se torna uma tarefa hercúlea. Contudo a problemática maior parece se encontrar na falta de organização.

Por aqui é normal um pecuarista possuir cinco vezes mais gado do que a propriedade suporta. A comida e a água que daria para o ano todo se acabam bem mais rápido do que se imaginava. Como a estiagem vai se afunilando à medida que os meses passam sem chuvas, com isso os animais perdem peso e muitos morrem de fome ou sede. O sertanejo se endivida na tentativa de salvar o rebanho. No decorrer do padecimento o patrimônio do pobre homem vai sumindo com a seca.

Quando a chuva retorna ao sertão, o homem do campo que estava triste se alegra e se lança a trabalhar a terra. Primeiro ele faz o roçado, coloca fogo, ara o chão duro e após a primeira chuva faz a semeadura. Logo São Pedro manda uma noite de chuva forte, trovões e relâmpagos fazem os olhos secos lacrimejarem de contentamento. O sertanejo então sonha com a fartura, com o gado pastando o capim verde, com o milho para o cuscuz. Os dias passam e a chuva não volta mais a cair, o milho e o feijão que começavam a lançar folhas, murcham, não prestam mais. O homem do campo se entristece, volta a andar cabisbaixo, dorme e acorda sonhando com a chuva. Não demora e o Santo manda outra nuvem carregada para recarregar as baterias deste povo sofrido, e a luta recomeça: fogo, arado, sementes. É uma vida louca.

Nosso povo esquece rápido das qualidades do bioma Caatinga. Ao ver a chuva pensa que nunca mais faltará água e recomeça a comprar gado e volta a plantar sem irrigação. O ciclo sempre é o mesmo: o do sofrimento e o dos prejuízos. Somos um povo pobre porque gostamos de agir primeiro antes de raciocinar. Plantamos sem ter água, criamos animais sem termos alimentos para os mesmos. Se fôssemos mais habituados com a matemática saberíamos que certos negócios só servem para dá prejuízos quando feitos de forma errada.

Para começar qualquer negócio serve um ditado popular: “Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém”.

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Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

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