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Paramirim
14 de abril de 2021
Início Érico Cardoso O primeiro topônimo do município de Érico Cardoso

O primeiro topônimo do município de Érico Cardoso

A cidade de Érico Cardoso, sede do município do mesmo nome, foi assim denominada oficialmente por força da Lei estadual n° 6.360, de 30 de dezembro de 1991. É uma justa e merecida homenagem a um de deus filhos mais ilustres, o cidadão Erico Cayres Cardoso, nascido em 9 de novembro de 1016 e falecido em Salvador com 68 anos de idade, em 10 fevereiro de 1984. Deixou uma série de serviços prestados à sua terra natal, inclusive a Paramirim, onde foi prefeito pela UDN, de 7 de abril de 1951 a 7 de abril de 1955.

Ainda no campo das homenagens, merece ser lembrado que o topônimo Água Quente nasceu de uma tradicional alusão à fonte de água termal, mais conhecida como Poção de Agua Quente, ainda hoje presente nas proximidades da cidade. Vale pontuar que esta dádiva da natureza, considerada um cartão postal da região, precisa ser revitalizada como implementação de um pacote turístico integrado por outras atrações ecológicos do Vale do Paramirim, as quais há muito se encontram na fila de espera aguardando uma iniciativa pública ou privada para melhor explorar como um todo o seu potencial.

Antes de ganhar status de arraial, a povoação de Agua Quente, nascida por volta de 1860/1870, no seio de uma fazenda pertencente ao Cel. Liberato José da Silva, no território de Minas do Rio de Contas, ganhou dimensão maior ao se tornar sede da freguesia de Nossa Senhora do Carmo do Morro do Fogo, em 1875, sendo o seu primeiro vigário o Cônego João Paranhos da Silva. Nesse período recebeu a sua primeira escola, cresceu o número de residências com a chegada de novos moradores, tempo em que se intensificava a agricultura e a pecuária graças a abundância de água no rio Paramirim, a fertilidade de terras adjacentes e o braço escravo.

Pela Lei Provincial n° 1.849, de 16 de setembro de 1878, a sede da freguesia de Nossa Senhora do Carmo é elevada à categoria de Vila com o nome de Industrial Vila de Agua Quente. Muito teria que comemorar sua população, não fosse a revogação dessa lei três anos depois, antes mesmo que a vila se instalasse. Essa questionável decisão governamental fez com que a história de Água Quente e Paramirim tivesse um controvertido episódio quanto à data de sua emancipação, até hoje sem definição. Mesmo assim, fica o registro de que a escolha do topônimo foi acertada, provavelmente, por conta da grande produção dos derivados da cana-de-açúcar cultivada em vários trechos de seu território.

Cumpre-se dizer também que o grande patrono da Industrial Vila de Agua Quente, sem nenhuma dúvida, foi o Cônego João Paranhos da Silva na condição de deputado provincial pelo partido conservador. Paranhos como era mais conhecido nos meios políticos, apresentou o projeto emancipatório à Assembleia e o defendeu com unhas e dentes durante a sua tramitação por mais de um ano no legislativo, provincial, embora, a contragosto do Cel Liberato, seu inimigo e opositor no seio de sua freguesia.

As cartas de sua lavra, publicadas pela imprensa baiana, com serias denúncias das perseguições movidas por esse chefão da guarda nacional (comandante superior) contra a pessoa do vigário, são testemunhos de um triste recorte da história dessa vila que se transformou em ex-vila por conta de sérios desentendimentos e caprichos de ordem partidária.

A revogatória do Presidente da Província, João Lustosa Paranaguá (Partido Liberal) contida na Resolução n° 2.175, de 20 de junho de 1881, fundamentou-se no princípio de que os ânimos entre as duas lideranças poderiam se intensificar na hora de distribuir os cargos a que a vila tinha por direito, o que certamente deixaria uma e outra parte em constantes conflitos.  Por conta disso, suprimiu-se a vila antes mesmo desta ser investida em seus poderes para não ter que dividir entre liberais e conservadores os parcos cargos de uma modesta freguesia. Uma decisão que no fundo acabou beneficiando o perverso coronel, correligionário do presidente Paranaguá.

Dez anos se passaram ou quase isso. O que o Império nas pessoas de seus prepostos provinciais negou à população de Agua Quente e ao vigário Paranhos, a República corrigiu sem nenhuma delonga. Por ato de 23 de março de 1890, do Governador Manoel Vitorino

Pereira (o segundo da Bahia na ordem cronológica) a vila de Agua Quente foi restaurada, levando-se em conta o progresso alcançado por seus habitantes. Daí para frente, sua história com a inserção de novos valores toma outra conotação.  Não há como negar ou contrariar a ordem dos acontecimentos. Por mais que o tempo passe, haverá de ficar no papel ou nas lembranças as fagulhas de sua trajetória, dentre elas os registros presentes nos anais da Assembleia Legislativa provincial da Bahia, nos quais se lê que a Industrial Vila de Agua Quente foi o primeiro topônimo do atual município de Érico Cardoso, de cujo território também fazia parte o próspero arraial de Paramirim mais conhecido por Arraial do Ribeiro.

Paramirim, 24 de fevereiro de 2021

Prof. Domingos

Fonte: Facebook de Domingos Belarmino.

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

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