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Paramirim
25 de fevereiro de 2021
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O primeiro carnaval na Praça Santo Antônio

Antes de chegar à praça Santo Antônio, o carnaval de Paramirim passou por diversos pontos da cidade sem perder a sua característica de festa genuinamente popular. Nada nos impede dizer, entretanto, que o ritmo e a letra das músicas que atualmente movem esse evento alterou em nome da modernidade o seu significado e a forma de sua comemoração. A chegada do som mecânico invadiu os salões, deu um chega pra lá nas marchinhas e os foliões embarcaram nos ritmos quentes do axé para nunca mais cantar o olé, olé olá das canções carnavalescas de antigamente. Se é que podemos chamar essa brusca mudança de evolução, a música e a dança como expressão do belo perderam o seu conceito de arte e se transformaram, segundo os saudosistas, numa gritante onomatopeia de ruídos e trejeitos desprovidos de melodia e beleza. Triste sorte!

Como não se pode frear o festival de transformações que vêm ocorrendo nos diferentes setores da sociedade, nos últimos tempos, vamos retroceder um pouco para dizer que no final da década de 20 já se falava em carnaval na vila de Paramirim. Em 1947, o pretor do termo Dr José de Senna Moreira organizou o primeiro bloco carnavalesco e nos idos 50, o bar de Melé, na rua 16 de setembro, o Grupo Escolar Professor José Cândido Vieira e o Cine Aliança abriram suas para receberem em anos diferentes os alegres foliões de uma cidade que 10 amos depois se tornava metrópole do melhor carnaval da região.

Fortalecida com a inauguração da sede própria do Clube Social, em novembro  de 1959, a instalação da Residência Agrícola da Comissão do Vale do São Francisco com o seu quadro de funcionários com status federal e a presença estudantil após a criação do Ginásio, sem se falar no seu crescente comércio, a população de Paramirim viu chegar as décadas de 60 e 70 com esplendorosos bailes momescos na sede da Associação Cultural, animados por excelentes grupos musicais formados pela  prata da casa com destaque para o inesquecível Ases do Ritmo e, posteriormente,  o conhecidíssimo  conjunto Os Atuais, administrado pelo empresário José Barbosa Leão, grande incentivador dos eventos festivos de Paramirim.

Sem nenhuma sombra de dúvidas, esse período por tudo que ele nos proporcionou pode ser considerado os anos dourados de Paramirim. A época dos melhores eventos festivos, esportivos e culturais. As décadas das melhores composições musicais, dos passos cadenciados do bolero, do samba, do frevo e do rock”n roll, das festas de formatura, dos leilões de Santo Antônio e da boa qualidade do ensino nas escolas públicas. Muitos ainda lembram das passeatas de 7 de setembro, dos reisados, das romarias do Morro do Fogo e de Canabravinha, dos filmes de Roy Roger na tela do Cine Alvorada, das aulas de Moral e Cívica, dos piquenique, dos matinês e dos desfiles carnavalescos com termino obrigatório em frente ao clube por isso e por tudo isso, os anos 60 e 70 jamais serão esquecidos. Suas lembranças são relíquias na memória de todos que tiveram o privilégio de ser contemporâneo dessa época.

No repertório musical dos anos dourados não faltavam a marcha rancho, o frevo e o samba, todas com temas do cotidiano. O folião se divertia cantando os sucessos de todas as épocas. Havia muita afinidade entre a música e a dança, fosse qual fosse o ritmo, as duas se completavam Na composição das orquestras predominavam os instrumentos de sopro e as percussões, um ou dois microfones para muitas vozes. Quase tudo era na base do gogó, mas as vibrações maiores ficavam por conta do trompete e do trombone. Fosse descendo a rampa do cinema ou rodando a pista do clube todos contavam você pensa que cachaça é água, mulata bossa nova. Mamãe eu quero e o teu cabelo não nega. Por entre confetes e serpentinas ao toque do lança perfume, pierrôs e colombinas, marujos e jardineiras faziam a festa até o raiar da quarta-feira de cinzas, fazendo prevalecer, sobretudo, o doce perfume de uma sadia diversão.

Seriamos injustos consumir esta página sem mencionar aqui o nome de alguns protagonistas que muito contribuíram para organização e animação dos festejos carnavalescos de Paramirim. Destacando-se dentre outros músicos e cantores eternizados no dedicado trabalho de proporcionar diversão aos amantes da folia e do lazer coletivo. Na galeria deles têm cadeira cativa a família moreno desdobrada em mais de uma geração a começar do maestro Milton Moreno, seguido dos irmãos Altamiro e Edgard Viana, Tota de Ana Amélia e Zé Cardoso, do saudoso Zé Meira, dos Macaubenses Shell e Toe Veneta, João do Trombone, Zé Brasil, Arlindo de Estela, dentre os mais antigos. Injusto também seria esquecer Edmundo da Estatística, Antônio Araújo, Ulysses Bittencourt, Zé Leão, Clovis Motorista, Beto de Sergio, Zequinha de Rio do Pires, Nelsão e todos aqueles que ajudaram a construir ao longo dos anos uma história de promover e compartilhar diversão desde os improvisados salões dos anos 50 até as modernas praças de hoje aparelhadas para atender às múltiplas demandas decorrentes.de grandes concentrações.

Nos primeiros anos da década de 80, o clube social de Paramirim entra numa continua e irreversível decadência. Influenciado por caprichos políticos dos grupos dominantes, seu quadro social se desmorona de uma vez por todas, sem se levar em consideração os benefícios desfrutados pela sociedade por mais de vinte anos consecutivos. Desprovido de teto e de chão e a contra gosto de algumas famílias, após uma rápida passagem pelo auditório municipal, o carnaval de Paramirim é comemorado pela primeira vez na praça Santo Antônio em 13 de fevereiro de1988, deixando de ser assim uma festa comunitária ou de cunho local para se transformar daí para frente num mega evento sem distinção de classe ou categoria social tudo na base de potentes caixas de som.

Paramirim, 20 de fevereiro de 2021

Prof. Domingos

Fonte: Facebook de Domingos Belarmino.

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

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