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Paramirim
28 de julho de 2021
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O primeiro atleta paramirinhense a participar da São Silvestre

Idealizada pelo jornalista Casper Líbero, a corrida de São Silvestre teve a sua primeira largada na noite de 31 de dezembro de 1924 com apenas 48 atletas para um percurso de 8 quilômetros, saindo vencedor o paulistano Alfredo Gomes. Trata-se de uma corrida de rua realizada anualmente na cidade de São Paulo no dia 31 de dezembro. Até 1944, concorreram apenas brasileiros, a partir daí, virou evento internacional. Em 1976, foi aberta ao público feminino, após a ONU ter reconhecido o dia internacional da mulher. Recebeu esse nome em homenagem ao Papa Silvestre que governou a igreja católica no quarto século da era cristã, falecido em 31 de dezembro de 335 d.C. O recordista de vitórias é o queniano Paul Tergat, 5 vezes campeão. A partir de 1991, a competição passou a ter 15 km obrigatórios para atender as exigências da Associação Internacional das Federações do Atletismo (IAAF) e garantir sua inclusão no calendário internacional de provas de ruas. O campeão de 2019 foi o queniano Kibiwott Kandie. Por conta da

pandemia da Covid-19 a prova não foi realizada em 2020 para atender as restrições do isolamento social baixadas por determinações legais.

Embora sem nenhuma tradição nessa modalidade esportiva, a população de Paramirim sempre acompanhou pelos meios de comunicação as transmissões do evento, dividindo as festividades de final de ano com as emoções da São Silvestre. A partir de 1971, um novo ingrediente foi acrescentado ao cardápio noturno das diversões locais. Com a chegada da rede Tupy de televisão, atraindo novos admiradores do atletismo, da ginástica, das lutas livres, das novelas e do futebol de campo, Paramirim entra na era da Tv com alguns televisores instalados nos lares das famílias de melhor poder aquisitivo. Com esse dispositivo os amantes do esporte puderam assistir à chegada triunfal do mexicano Rafael Tadeo Polomares a sagrar-se campeão da 26° competição realizada na cidade de São Paulo, compartilhando os resultados com milhões de brasileiros.

Mergulhada na sua mesmice, sem muitas novidades na área do esporte, Paramirim viu correr os anos setenta de forma lenta e suave, vivendo as novidades do telefone e da televisão, mesmo sem energia e sem sinal depois das 23 horas por conta do precário sistema de iluminação pública naquela época em vigor. Isso sem se falar nas constantes interrupções sofridas por conta das indesejáveis avarias nos possantes motores que mantinham o sistema termoelétrico da cidade.

Na década de oitenta, a trancos e barrancos, o futebol de Paramirim ganha um grande aliado. A 16 de setembro de 1988, o prefeito. Durval Marques Leão inaugura o estádio O Roseirão (por localizar na Baixa da Roseira) mais tarde oficialmente denominado João Tanajura em homenagem a um grande futebolista filho da terra. Por incrível que pareça, uma inversão de valores desponta no cenário esportivo do município, a partir dessa década. Uma tempestade de torneios eleitoreiros principalmente no meio rural, desencadeia por toda parte. o futebol passa a ser barganhado por votos e deixa de ter a qualidade que o caracterizava nos anos sessenta e setenta. Muitos atletas filiavam-se neste ou naquele time negociando o passeaste mesmo por um vistoso par de chuteiras. Começava assim a corrida da falta de amor à camisa e o pesque e pague do onde me der mais eu fico, sem se falar no clima de violência estabelecido dentro de campo e o desrespeito aos árbitros. Com essa massificação, os valores e a arte dos craques do passado foram se achatando e ficando cada vez mais pobre sem perspectivas de renovação.

A grande novidade da década de noventa foi a primeira participação de um paramirinhense na corrida São Silvestre, em 31 de dezembro de 1993.  Pouca gente sabe disso. O fato foi publicado na edição 314 do jornal Tribuna do Sertão, de 30 de dezembro de 1994 com alguns depoimentos e foto do participante. Com base nessa matéria, fica registrado que José Francisco de Oliveira, mais conhecido por Zecão foi o primeiro filho de Paramirim a participar dessa prova.

Patrocinado por um conterrâneo, Zecão, diante dos resultados obtidos, planejou uma nova participação em 94, prometendo melhorar sua classificação.

Visto que da primeira vez ficou entre os cem classificados na categoria amador.

Ainda, segundo a fonte pesquisada, Zecão também participou de outras competições esportivas nas quais

obteve bons   resultados. Foi medalha de prata na Maratona Campinas/ Guaratinguetá e bronze na Maratona de São Paulo, todas em 1994. Por conta disso, o atleta    melhor se preparou para mais uma rodada da São Silvestre. Reconhece que as dificuldades são muitas, mas o seu esforço o faz se sentir esperançoso e feliz em poder participar de uma prova da qual também participam atletas famosos de diferentes nações, o que para ele é motivo de grande orgulho. De forma merecida, deixamos aqui os nossos louvores e reconhecimento ao filho de Dona Ana Rita Souza pela sua coragem e a determinação de quem fez por merecer o privilégio de ter sido o primeiro paramirinhense a tocar o asfalto da Av Paulista numa competição internacional, longe dos aplausos e da torcida de seus diletos conterrâneos.

Dessa forma, viramos mais uma página da história de Paramirim trazendo à tona mais um ilustre desconhecido. Um jovem morador da zona rural, que desde criança sonhava com o atletismo e que sem nenhuma badalação materializou o seu sonho nas pistas de grande São Paulo participando como amador da mais famosa corrida de rua do Brasil e da América do Sul ao lado de gente desconhecida e famosa. Se não chegou ser uma façanha ou um feito memorável para conquistar a admiração popular, também não fere os princípios da valorização e do mérito, a exemplo de muitos que pouco fazem e se notabilizam em cima do falso pressuposto. A bem da verdade, fica também ressaltado que na década de noventa os meios de comunicação de massa ainda não contavam com a empolgação das redes sociais para badalar os acontecimentos como atualmente se faz. Essa realidade fez com que o atleta paramirinhense ficasse um tanto despercebido e a sua participação na São Silvestre de 1993 e 1994 permanecesse na memória de poucos.

Paramirim, 28 de junho de 2021

Prof. Domingos

Fonte: Facebook de Domingos Belarmino.

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

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