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12 de agosto de 2020
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Nossa Senhora Sant’Ana e o mês de Julho – Por Antônio Gilvandro

JULHO, MÊS AMIGO E DOS AMIGOS

JULHO… Sétimo mês do ano no Calendário Gregoriano. O seu nome deve-se ao Cônsul e ditador romano Júlio César, sendo antes chamado Quintilis em latim, dado que era o quinto mês do Calendário Romano, que começava em março. Também recebeu esse nome por ser o mês em que Júlio César nasceu. É um mês em que se diz que, mesmo após a ressaca de tantas festas juninas, ainda assim ele se levanta numa série de comemorações que enriquecem o nosso intelecto. Para nós, brasileiros e particularmente baianos, defrontamo-nos com o Dois de Julho, que se recorda a Independência da Bahia, bem como o dia 09, que se celebra a Revolução Constitucionalista de 1932 ou Guerra Paulista, levante contra a administração de Getúlio Vargas, quando os insurgentes exigiam do Governo Provisório a elaboração da nova Constituição e a convocação de eleições para Presidente, conflito este que custou a vida de quatro estudantes entusiastas pela justa causa: Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo, fato este que revoltou a sociedade paulista e as iniciais dos jovens M.M.D.C, tornam-se um dos símbolos do movimento. No entanto, esses distúrbios falam mais a respeito para os brasileiros, até porque se deram no âmago do solo pátrio, tendo como point o território paulista, notadamente.

Todavia, outras datas dizem-nos respeito pela sua amplitude, já que, nos mais diversos setores, notabilizaram pessoas, conquistas, gestos humanos e viris, heroísmos de todos os tipos e dimensões. Desde à culinária da pizzaiola, seguindo-se pelo chocolate, desembocando-se enfim no Dia Internacional do Amigo, que, por sinal, é uma celebração, de ilimitado valor, sob todos os aspectos, vez tratar-se de sentimento que nobilita toda pessoa humana. Entre os tantos destaques celebrativos, defrontamo-nos com os festejos de Sant’Ana e São Joaquim, ocorrentes no dia 26 deste mês, e, por consequência, o DIA DOS AVÓS e DOS BISAVÓS, pois os oragos eram os pais da Virgem Maria e, por isso, avós de JESUS CRISTO! Como nos ensina a hagiografia, especialmente, pelos laços ancestrais que uniam esse casal a seu neto, o Salvador Único da Humanidade, a história sobreelevam-se esses vultos sagrados. É como diz a parêmia: “De toda árvore boa, só saem bons frutos…” Muito embora, na Bíblia Sagrada, não constem os nomes desses anciãos sagrados, referem-se a eles outros livros que são chamados “apócrifos”, o que não deixam de ter credibilidade, até porque qualquer pessoa é inserida numa árvore genealógica! Não seria Maria a pessoa sem pais nem Jesus um vulto sem avós!!! Todavia, não é nossa intenção partir para uma diatribe histórico-teológica, o que in casu não levaria a lugar algum. O que não se podem negar, entretanto, é que ambos os avoengos sempre foram distinguidos, com relevo, pela história. Por exemplo, Ana, muito embora com seu nome tão pequenino, em contrapartida atesta sua nobreza de caráter, a ponto de gozar a reverência e a simpatia de tantos! Filha que era de Santo Estolano (hoje Padroeiro do Bairro da Baixinha, nesta cidade Paramirim) e Santa Emerenciana, contam as linhas do Proto-Evangelho de Tiago (apócrifo), que ela concebeu já na velhice avançada, de modo milagroso, pois não mais suportava seu esposo Joaquim as acusações do imperador Rúben, que o intitulava insistentemente de estéril! Tempos passaram e a história acontece e caminha! E como tradição não é apenas um depósito esclerosado, porém, como dia o teólogo e escritor Leonardo Boff, “que o progresso nada mais é que a tradição em marcha”, os valores da ancianidade estampada naquele casal foram-se contextualizando, à medida que o estudo da história abriu-se a tantas realidades incontestáveis. Dando-se uma rápida olhadela no panorama religioso-social da humanidade, ver-se-á que inúmeras são as comunidades mundiais que têm como Patronesse SANTANA, avó materna de Jesus Redentor. Sem ir tão longe, na nossa circunscrição municipal e nas circunvizinhanças, deparamo-nos com imagem sacra daquela que tantos veneram, pelo maior atributo de ter tido em seu seio Aquela que o Evangelho de Lucas, 1,48-49, no Magnificat, proclama que “Todas as gerações te chamarão bem-aventurada porque o Poderoso fez em ti grandes coisas”… Bem dentro de nosso Município, destacam-se os festejos da venerável Santa, em Caraíbas e na Santana. No vilarejo caraibense, tudo começou em tempos imemoriais. É que, no mês de janeiro de 1820, Florêncio da Rocha comprou ao Conde da Ponte as terras de Pau de Colher e Manoel Joaquim Pereira de Castro as da fazenda Poções atual Caraíbas, ao mesmo Conde, pela grande quantia, naquele tempo de 145$000, cujo pagamento foi realizado em quatro prestações de 36$250. Iniciou-se, sobremodo, as povoações de Pau de Colher e Caraíbas, muito embora os festejos de Santa Rita de Cássia eclodiram, construindo a Capela e o Cemitério daquela localidade. Já Caraíbas dos Poções ou dos Alecrins, como lhe chamavam, atrasou um pouco a sua evolução, pois houve uns contratempos iniciais que lhe bloquearam a caminhada. O Tenente-Coronel Manoel Joaquim Pereira de Castro, capitão-mor de Vila Velha, residente na fazenda Alecrins de Caraíbas, casado com Maria Joanna da Rocha Guerreiro, tornou-se inimigo de Militão Plácido da França Antunes e seu desafeto “travou numa verdadeira guerra de extermínio contra seu opositor, buscando truicidá-lo, de maneira inclemente”, como escreveu Doutor Urbino Vianna, escritor paramirinhense e tio do Cel. Chiquinho Brasil. Essa luta não pairou por aí, voltando a acendê-la, na própria fazenda dos Alecrins de Caraíbas, onde o despótico e ferrenho adversário do Tem. Coronel Manoel Joaquim Pereira de Castro, em 1843, enviou de Lençóis, na Bahia, “dois sicários que foram presos antes de realizarem o crime de assassinar o Coronel, confessando a empreitada, paga, por ambos, com a própria vida”, consoante informações do historiador paramirinhense Urbino Vianna. Essa situação de sobressalto fez com que a missão religiosa ali sofresse uma interrupção! Entretanto, a imagem padroeira de Santana já estava prestes a ocupar seu lugar, pois fora trazida pelos missionários que acompanhavam as expedições colonizadoras, em qualquer lugar que elas fossem acontecer. Daí para cá, prossegue a avó de Jesus a reger os destinos desta nossa comunidade florescente. Já bem recentemente outra comunidade, por sinal, denominada Santana, achou por bem organizar-se e criar seu movimento pastoral, quando o saudoso Antônio Rodrigues Moitinho geriu o movimento para cria-la, construindo sua Capela, na década de 1970. Interessante é que a Santana de hoje trazia o seu nome, desde 1798, quando o Capitão Antônio Ribeiro de Magalhães comprou aos herdeiros de Dr. Bernardino Joaquim Souza Canabarro as terras do Arrayal, hoje Paramirim. Em qualquer dessas comunidades, onde se celebram ou não os festejos de Sant’ANA, no dia 26 de julho, todos nós recordamos os nosso Avós e os nossos Bisavós, justamente na lembrança daqueles que foram os pais de Maria e avós de Jesus Cristo.

Lembrarmos desses nossos ancestrais, não queremos nem pretendemos apegar-nos alienadamente ao passado longínquo, quando os apelos do mundo de hoje são outros, completamente outros! Contudo, não podemos distanciar-nos de uma origem pra nós tão querida. Meus avós, meus bisavós! Os avós têm um grande papel na vida de seus netos, pois são eles que cuidam, mimam, encorajam, alimentam e ainda transmitem muita sabedoria em seus ensinamentos. Os avós, pais dos nossos pais, combinação de zelo e carinho, risadas e amor; pessoas que amenizam nossos impasses, comemoram cada um de nossos sucessos e encorajam nossos sonhos. Podemos dizer que todos os dias são dias de homenagear os avós. Aqueles que são “pais duas vezes”, que têm uma sabedoria única, um carinho que transborda e uma paciência que só a idade traz. É, sem quaisquer sombras de dúvidas, a figura materno-paterna de nossos avós, bisavós e, em grau adiante pentavós, que fortalecem a história de nossas vidas, sem os quais seríamos uma fonte sem água ou um fim sem princípio. A toda história corresponde uma pré-história! Em alguns países, como Brasil e Portugal, o Dia dos Avós foi instituído a 26 de julho, no final dos anos de 1980 por Ana Elisa do Couto Faria, uma portuguesa, nascida em Penafiel, Norte de Portugal. Foi uma ideia profundamente humanista, quando se veem que tantos netos tratam seus avós com desprezo, ironia, até mesmo com despudor. Esquecem-se que “os avós são pai e mãe com um pouquinho mais de açúcar”, como afirma Alex Haley. Falar de avós, para muitos ainda é pensar em velhice. A isso supõe essencialmente a paciência. Neste mundo de tribulações, vimos os apressadinhos não tolerar sequer a sombra, que lhe passa à gente. Deixam de lado o meditar que a paciência gera excelência, nos dá mais tolerância e empatia, ensina o poder de receptividade, “é a essência da civilidade e faz nossas almas crescerem”, como assevera M.J. Ryan, no seu livro O Poder da Paciência. Em assim procedendo, apesar de tantos pesares, podemos afirmar que o mês de julho, mesmo dentro dessa pandemia infernal que assaltou a paz planetária, abramos um parêntese e conseguiremos checar que tantos valores se espraiam e se espalham no calendário, tantas celebrações que nos animam e nos impulsionam a seguir em frente, convictos naquilo que disse Machado de Assis: “Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho. Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas.” Vamos à luta! Eia, avantes! Os nossos antepassados enfrentaram com altivez e denodo todas as crises que se lhes puderam antepor à nossa caminhada. Peitaram-nas! Deram-lhes uns empurrões! Fizeram-nas correr! Que falarmos dos anos 1720, 1820 e 1920, respectivamente, da peste negra, do cólera e da gripe espanhola?! Crises avassaladoras sacudiram até os céus! No entanto, o poder da resiliência não lhes faltou! Recobraram facilmente as mudanças! Mas “tudo pode transformar-se em degrau para subir mais”, lembrados das sábias palavras de Platão. Em tempos de crises e incertezas, como o que estamos a viver, agora, é bem recordar as palavras do ilustre filósofo alemão Martin Heidgger que “no turbilhão das crises é que acontecem as grandes coisas.”

Que nossos pentavós Santana e São Joaquim, também São Cristóvão, o Patrono dos Motoristas, encaminhem-nos para a saúde, o bem e a paz!

Antônio Gilvandro Martins Neves

Advogado-Paramirim-Bahia

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

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