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18 de janeiro de 2021
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Irmã Dulce – Por Antônio Gilvandro

A SANTA DA ERA ATÔMICA

Por qualquer razão, a sociedade empreende um feriado. Uns pensam em descansar, nós outros aproveitamos o ensejo para colocar nossos trabalhos em ordem. São poucos de nós que meditamos o que aquela data significa e, por isso, nem sequer, inda que, por curiosidades, adentramo-nos no sentido daquela comemoração. Hoje, por inúmeros motivos, o mundo todo deveria curvar-se, ante uma figura franzina, de andar trôpego, com aquela tossezinha renitente, mas de um gigantismo serviçal que nos encanta e nos subjuga. É a Irmã Dulce, a SANTA DULCE DOS POBRES, cujo trabalho superou todo o nosso tipo de devoção. De família nobre, renunciou a todo tipo de conforto, entregando-se à causa do Evangelho, consequentemente, ao seguimento do CRISTO, a quem ela se entregou total e absolutamente. Começou nas arcadas do Largo do Bonfim, sendo enxotada de lá, ao que ela se socorreu de um galinheiro aos fundos do Convento, levando os seus pobres, de quem cuidava com o profundo desvelo de Mãe. Às esmolas, não permitia que seus assistidos passassem necessidades básicas de sobrevivência. Quase que repete o milagre da multiplicação dos pães, de que nos fala Jesus, na Bíblia Sagrada! Ela, com muito pouco, conseguia atender a muitos. Num País, onde sempre foi grande a demanda por assistência social, médica e outras, a eficiência de Irmã Dulce superou o que proporcionava tecnicamente outro tipo de estabelecimento similar no Brasil. É que ela promovia essa assistência a custos muito mais baixos para a sociedade, acrescentando uma dose de amor e carinho em tudo que tocava. Tive a felicidade de conhecê-la pessoalmente e sermos bons amigos. Era ela minha eficaz benfeitora, sempre atendendo-me e doando-me materiais para o Hospital José Américo Rezende, nesta Cidade, bem como para o CESUPA (Centro dos Estudantes Secundaristas e Universitários de Paramirim), aqui e lá em Salvador. Não me esqueço de que ela chamava-me para conversar, afagando-me com suas mãos descarnadas, que pareciam flocos de papel de seda! Chamava-me sempre, em nossas prosas, de “Meu Filho”! Tinha-me um carinho materno! Graças a tudo isto, consegui internamentos de pessoas conterrâneas, como Nelson Domingues (conhecido aqui por doutor Jundiá), Corininha, Amadeu de Zefa e tantos outros que me procuravam e a quem eu pedia-lhe o socorro! Sempre que fui ao Convento Santo Antônio, no Largo de Roma, nunca saí dali com mãos vazias! Sempre ela presenteava as obras a que eu assistia, com qualquer dádiva útil a seu existir! Todavia, sua caridade não se circunscrevia em grupos fechados e/ou escolhidos! Eram tantos e tantos os pobres que lhe procuravam! Eram tantos os famintos que lhe estendiam a mão pedinte! Eram tantos os meninos de rua, as crianças excepcionais, os velhos cobertos de farrapos, os doentes tísicos tuberculosos, os enfermos em estado lastimável! A todos esses ela os acolhia e afagava-os em seu regaço! Por esta razão, devemos curvar-nos reverentes diante dessa “giganta da caridade”, que viveu um cristianismo, não a base de chá de laranja, nem tampouco entronizado em gestos de autopromoção, nem num “refugium peccatorum”! Não! A religião a que a Santa de hoje seguia, era, exclusivamente, a missão da caridade que, no dizer de sua êmula, Madre Teresa de Calcutá, “é o amor efetivo e afetivo ao próximo; é a vivência prática do amor.” Por tantos inúmeros motivos, proclamo, em alto e bom som, que uma das maiores felicidades de minha vida foi conhecer pessoalmente e ter sido AMIGO DE UMA SANTA! No dia de minha formatura, ela esteve na Catedral Basílica de Salvador para participar da missa. Já próximo a sair, ela dirigiu-se ao altar do Santíssimo Sacramento e ficou bom tempo rezando. Ao terminar, veio em minha direção e me disse: “Meu filho, eu já falei com ELE tudo sobre você!” Abraçou-me, beijou minha testa e despediu-se! Nesta data em que o calendário litúrgico católico escolheu sabiamente para celebrar a SANTA DULCE DOS POBRES, quero saudar a esta célebre Missionária, a Mãe dos Alagados, a Mãe dos miseráveis, a Mãe dos esfarrapados, a Mãe dos Zés-Ninguém da Sociedade de Consumo, a Mãe das Mães Solteiras, a Mãe dos Pivetes e Trombadinhas, a Mãe das Sarjetas, a Mãe dos Moradores de Rua que se consomem pelo frio enregelante, sob as marquises dos comércios latifundiários e dos bangalôs! Por uma sábia coincidência, o calendário civil comemora, hoje, o DIA DOS ENCARCERADOS! É o dia daqueles que se consomem no submundo de uma prisão, como se fora um objeto imprestável qualquer, à mercê do lixo! A população carcerária da Bahia é de 16 mil presos!!! O que fazer, nesta Justiça indolente, gélida, que não está nem aí para aqueles que se amontoam nos cárceres, cumprindo muitas vezes, o não sei o quê, per ominia saecula saeculorum?! O jeito é apelar para aquela que viveu sua vida, em prol dos que não têm voz e nem vez: SANTA DULCE DOS POBRES, ROGAI POR NÓS! ROGAI PELOS SOFREDORES! ROGAI POR AQUELES QUE TÊM UM CORAÇÃO DE PEDRA PARA QUE TROQUEM-NO POR UM CORAÇÃO HUMANO!!!

Antônio Gilvandro Martins Neves

Advogado-Paramirim-Bahia

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

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