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3 de junho de 2020
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GARI, UM AMIGO QUE ESQUECEMOS – Antonio Gilvandro Martins Neves

GARI, UM AMIGO QUE ESQUECEMOS.

Este mês, cujo nome é o menor dos doze, tem em seu bojo uma riqueza inestimável!
Começa com o Dia do Trabalhador, sob o patronato de São José Operário, cuja homenagem a essa classe remonta ao dia 1° de maio de 1886. É aí que se comemora a ação que o homem pode empreender para construção continua do mundo. ” O trabalhador é mais importante do que seu trabalho, mas seu trabalho o torna importante”, di – lo o Pe. Zezinho.
Segue o Dia do Sertanejo, 03 do mês, que, na pena de Euclides da Cunha, ” é, antes de tudo, um forte”.
Não se pode olvidar que destaca -se, outrossim, o Dia das Mães, aquela que gerou em seu seio a própria vida.
Também, neste mês, há uma dedicação aos Enfermeiros, esses continuadores da britânica Florence Nightngale, que se doam para salvar vidas, como estamos vendo nos dias atuais dessa terrível peste chinesa.
Ontem, dia 15, dois eventos destacam-se e nos honram. Primeiro, o Dia Internacional da Família, a “base da sociedade”, como dispõe o artigo 226 da Constituição Federal, que foi instituído pela ONU, em 1993. Muito embora, o IBGE informa que teríamos no Brasil nada menos que 18 modalidades diferentes de família, esta continua sendo ” o lugar privilegiado de vida e dignidade”, como acentua com precisão o Papa Francisco. Nesta mesma data, homenageiam – se o Dia do Assistente Social, aquele profissional que tem em mente o bem-estar coletivo e a integração do indivíduo na sociedade, ” aquele que realiza a mediação de conflitos”, como assevera a diva do Serviço Social Marilda Yamamoto.
Entretanto, no dia de hoje, quero centrar uma homenagem a uma classe esquecida, menosprezada, mal – paga, cuja ação caracteriza uma heroicidade de virtudes. É ela os GARIS! Quem são eles? Como é sabido, desde os períodos mais remotos, a formação dos grandes centros urbanos fez com que a produção de lixo se tornasse um dos mais importantes problemas das cidades. Afinal, tendo a capacidade de agrupar grandes coletivos, as cidades geram uma capacidade de consumo e produção de restos que tornam o lixo um incômodo que interfere no cotidiano, na saúde, e na própria estética urbana. Para solucionar este problema aflitivo, eis que uma das primeiras ações organizadas para o serviço de recolhimento do lixo urbano apareceu no Brasil, quando o governo imperial contratou o francês Pedro Aleixo Gary para transportar o lixo produzido no Rio de Janeiro para a ilha de Sapucaia. O sobrenome do contratado acabou sendo utilizado para a designação feita a todos os funcionários que realizam a coleta de lixo nas cidades. Em termos culturais, o ofício de coletor de lixo foi e continua sendo desacreditado em terras brasileiras. Sem dúvida alguma, o GARI é tido como um ser invisível na sociedade contemporânea. O preconceito parece ser uma questão imutável ao longo dos séculos. No mundo globalizado e em pleno século 21 ainda podemos perceber como nossa sociedade é preconceituosa, seja pelos tom de pele da pessoa, pela etnia, pelas condições financeiras do sujeito e, também, pela relação de trabalho que o indivíduo exerce nos dias atuais. No que concerne ao preconceito pela relação de trabalho, o GARI é o que mais é atingido perante a sociedade. Pode ser considerada a mais estigmatizada pela comunidade, porque no senso comum se trata de um trabalho humilhante e imundo, uma vez que ninguém quer realizar essa atividade laboral degradante e as pessoas acabam por associar o resíduo à miséria, coisas ruins e imoralidade e, por fim, confundindo o lixo com o coletor.
O trabalho que o coletor realiza é de extrema importância, uma vez que contribui para o asseio das ruas, o combate às pragas urbanas, que aumentariam sem a coleta dos resíduos e a manutenção do meio ambiente. Todo trabalhador, independentemente do serviço que executa, merece ser respeitado como pessoa e como profissional, visto que fazemos parte de um sistema no qual dependemos uns dos outros, de forma direta ou indireta, para a sobrevivência neste mundo hostil.
Ao GARI, nosso herói da penumbra, do silêncio e da solitude, a nossa profunda gratidão! Enquanto nós dormimos, você está limpando o piso de nossas ruas para que possamos desfilar nelas, sem sujar os nossos custosos sapatos! Enquanto divertimos em nossos banquetes, está você à espera de colher as migalhas espalhadas pelo chão!
Enquanto nos deleitamos nas festas suntuosas, regadas a uísque e comidas finas, você aspira e respira, muitas vezes, o odor ardido dos vômitos que enlameiam os pisos de marfim! Você faz-me lembrar do episódio bíblico do pobre Lázaro que aguardava faminto as bolotas da mesa do rico!
Mas, apesar de tudo e apesar dos pesares, você é importantíssimo no cenário de qualquer mundo e de qualquer comunidade.
Você é aquele que acompanha, de perto, o quanto desperdiçamos.
Neste seu dia, que deveríamos propalar que todos os dias são seus, porque você os vive, desde a mais fria madrugada, quero dar-lhe as minhas Congratulações e meu Muito Obrigado! Seu trabalho é um testemunho de profundo amor ao próximo.
Falou São Luís Orione que “A CARIDADE TEM FOME DE AÇÃO”.

Fonte: Facebook de Antonio Gilvandro Martins Neves.

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

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