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Paramirim
20 de maio de 2022
Início Nota de Falecimento FALECE EM SALVADOR A PRIMEIRA PARAMIRINHENSE FORMADA EM MEDICINA

FALECE EM SALVADOR A PRIMEIRA PARAMIRINHENSE FORMADA EM MEDICINA

Como não poderia deixar de ser, vários próceres de Paramirim ou ligados à sua história já lizaram os bancos da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, mostrando que o sertão tem valores culturais do mais alto gabarito. Na turma de 1861, constituída apenas de 14 alunos, formou-se em medicina, defendendo a tese “Da Conveniência ou Desconveniência da Sangria nas Pneumonias”, o Dr. José Bernardino de Souza Leão. Foi o primeiro médico a residir em Paramirim. Faleceu em 27 de janeiro de 1904, com 68 anos de idade, deixando numerosa prole, dividida em duas famílias.

Na turma de 1892, crepúsculo do século XIX, figura-se o nome de Dr. José Basílio Justiniano Rocha, natural de Rio de Contas, mas ligado a Paramirim por ter se casado com uma das filhas do Major Domingos Rodrigues da Silva, iniciando-se assim a carreira médica dos ROCHAS ramificados por vários estados do Brasil. Dr. Basílio foi deputado estadual e prefeito de sua terra natal. Defendeu a tese “Apendicite e seu Tratamento”.

Abrindo a relação dos diplomados no século XX, figura-se na turma de 1910 o Dr. João Evangelista Bastos, natural de Igaporã ou Riacho de Santana. Casou-se com uma das filhas de Francisco Paranhos. Clinicou em Paramirim, inclusive assistindo o Cel. Antônio José Cardoso, falecido em 1920. Mudou-se para São Paulo, ali se radicando juntamente com a família Paranhos.

Não poderíamos esquecer o nome de Dr. Mário Meira, brumadense, se não me engano. Formou-se em 1902. Clinicou na região de sua terra natal. Foi chamado às pressas para socorrer o Monsenhor Manfredo Alves de Lima, vigário e chefe político em Paramirim. Não chegou a tempo de salvá-lo, pudera uma viagem a cavalo, naquele tempo, de Brumado até as barrancas do Paramirim durava dias. O eminente Vigário não resistiu vindo a falecer em 18 de janeiro de 1925.

Nesse mesmo ano formou-se Dr. Edgard Landupho da Rocha Medrado, natural de Mucugê, Bahia. Casou-se com Dona Guilhermina Medrado e Silva, filha do Cel. Francisco Brasil. Faleceu prematuramente em 26 de dezembro de 1936 no exercício do cargo de Prefeito de Paramirim. Não deixou descendentes, mas seu nome está perpetuado no campo santo construído na cidade por sua iniciativa.

Em 1932, o sertão da Bahia sofria um grande golpe. Em função de uma prolongada seca, sua economia se desarticulou e a região afetada experimentava um êxodo rural sem precedente na sua história. Dezenas e dezenas de famílias deixavam diariamente suas terras para buscar trabalho e alimento em outros pontos do país, principalmente no interior de São Paulo. Na capital da Bahia, concluía o curso de medicina Dr. Aurélio Justiniano Rocha, considerado mais tarde o Pai da Pobreza de Paramirim.

Após clinicar em algumas cidades do interior, chegou à terra do “Rio Pequeno”, em 1936, para generosamente cuidar da saúde de seu colega Edgard Medrado, que na época sofria de um mal crônico renal que o levou a óbito no final deste mesmo ano. Ligado a Paramirim pelos laços de sua genitora Águeda Bonfim, aqui permaneceu até sua morte em 05 de março de 1994, deixando cinco filhos formados em medicina e um enorme rastro de serviços prestados à região, como médico, historiador, político, professor e cidadão, sedimentado no socialismo, uma das paixões de sua vida.

Na década de sessenta os felizardos foram Aurélio da Silva Rocha, em 1963, e Humberto Barbosa Martins, em 1968, ambos de tradicionais famílias de Paramirim. Humberto casou-se com a riopirense Iêda Nunes. Como o primo Guimarães, preferiu a capital. Lelo ainda se fez mais sertanejo. Foi um andarilho da medicina. Marcou presença em várias cidades da Bahia e São Paulo. Foi professor de obstetrícia e ginecologia na Faculdade de Medicina de Alfenas, Minas Gerais.

Mais de duzentos anos se passaram desde a criação da UFBA, em 1808, para que do verde Vale do Paramirim viesse brotar a primeira mulher da região formada em medicina de que se têm notícias. O fato em si talvez não teve a repercussão merecida, mas o pioneirismo da Dra. Terezinha Rocha é exemplar e irrefutável, até porque abriu espaço para várias outras. A turma de 1973 da UFBA, composta de 179 alunos com mais de 50 mulheres, será sempre lembrada por esta particularidade. Filha de Dr. Aurélio Justiniano Rocha nascida em 9 de outubro de 1949, Therezinha tem o seu lugar de destaque no cenário de Paramirim e da Bahia por conseguir esse feito memorável, além de outras razões, é claro. Especializou-se em psiquiatria, residia em Salvador, exercendo a profissão de médica há quase quarenta anos. Ultimamente, prestou serviço no Centro de Atenção Psicossocial de Paramirim. Não conheço detalhadamente o seu trabalho, nem por isso deixo de mencioná-la. Por ser filha do “Velho Aurélio” já é um grande argumento.

Assim como na Medicina cada setor da vida pública ou privada de uma cidade tem a sua história com os seus protagonistas que precisam ser valorizados ou pelo menos lembrados para servir de incentivo ou exemplo às gerações subsequentes. Atualmente, o número de mulheres nascidas em Paramirim e formadas em Medicina tanto pela UFBA como por outras escolas, ultrapassa a casa de várias dezenas, todas elas com o seu merecido valor, honrando o diploma que recebeu, quebrando preconceitos a tabus como fez a Dra. Terezinha.

Hoje, por volta das 16h, um breve telefonema do prefeito Gilberto Brito me deu conta do falecimento de nossa ilustre conterrânea, Dra. Terezinha de Jesus da Silva Rocha, ocorrido na capital da Bahia, após um longo padecimento em cadeira de rodas. Lembrou Gilberto que a família de Dr. Aurélio, de quem ele é amigo desde a infância, perdeu, em curto espaço de tempo, Germínia (filha de criação), Dr. Aurélio da Silva Rocha (17/11/2020), Dr. Orrélio Justiniano Rocha (25/03/2021) e, agora, Dra. Terezinha (21/08/2021), deixando o esposo Arnaldo Cardoso e os filhos Luciana, Mateus e Helena.

Paramirim, 21 de agosto de 2021

Prof. Domingos

Fonte: Facebook de Domingos Belarmino.

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

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