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25 de outubro de 2020
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AGOSTO: VERDADE OU ILUSÃO?! – Por Antônio Gilvandro

Mais um agosto se vai! E com ele a crença de uma infinidade de pessoas que o veem como o mês agourento… Por que assim? Todos sabemos que é o oitavo mês do calendário Gregoriano, cujo nome procede do latim “augustus”,assim chamado por decreto em honra do imperador César Augusto. Antes dessa mudança, agosto era denominado “sextilis” ou “sextil”, visto que era o sexto mês do calendário de Rômulo. Tem ingredientes de poder e de inveja. O imperador Otávio Augusto conquistou três vitórias nesse mês. Como auto-homenagem nomeou-o com o próprio nome. Há, no entanto, uma crendice de que agosto é mês de maior agouro do calendário. Na verdade, há mais de uma explicação para essa superstição tão popular e ela não existe só aqui no Brasil. No século 1, os antigos romanos já temiam o mês de agosto, por acreditar que, nessa época, um dragão cuspindo fogo aparecia no céu durante a noite. Seria um dos filhos de Daenerys? Nada disso. Era apenas a constelação de Leão, que fica mais visível durante o período do ano. Pulando alguns vários séculos, a clássica rima “agosto é o mês do desgosto” surgiu em Portugal, durante o tempo dos descobrimentos. Originalmente, a expressão era “casar em agosto traz desgosto”, pois as caravelas costumavam partir para o Novo Mundo bem nessa ocasião. Aí, quem se casava em agosto acabava nem fazendo lua de mel e as noivas corriam o risco de tornarem-se viúvas, antes mesmo de aproveitar a fase inicial do casamento, onde tudo é uma surpresa íntima mais deliciosa!!! Outra expressão bem conhecida diz que agosto é o “mês do cachorro louco.” A origem disso é o fato de que, supostamente, agosto é o mês com maior incidência de cadelas no cio. Por conta disso, os machos ficam loucos e brigam entre si. Essas disputas também seriam responsáveis pela proliferação da raiva durante esse mês, quando um cão infectado morde o outro, o que contribui para que eles ganhem a fama de loucos. Além disso tudo, alguns acontecimentos históricos muito marcantes também contribuíram para que agosto levasse a fama de agourento. No dia 2 de agosto de 1934, Adolf Hitler tornou-se líder da Alemanha e todo mundo sabe no que isso resultou, a ascensão do nazismo e o maior crime da história da Humanidade, ceifando a vida de 22 milhões de pessoas, desde as crianças recém-nascidas aos idosos mais decrépitos! Já em 6 e 9 de agosto de 1945, Hiroshima e Nagazaki foram atacadas pelas bombas atômicas, culminando numa das tragédias mais emblemáticas do século 20, matando 200 mil pessoas. Ainda, a história nos informa o Massacre da Noite de São Bartolomeu, ocorrido em 23 e 24 de agosto de 1572, em Paris, que fez corar as águas do Rio Sena com o sangue de 30 mil protestantes, por ordem do Rei Carlos IX, influenciado pela mãe, a Rainha Catarina de Médicis. Porem, mais perto de nós, a fama do mau-presságio desse mês cresceu ainda mais no século 20, por causa de acontecimentos históricos como o suicídio do Presidente Getúlio Vargas, a 24 de agosto de 1954; a renúncia do Presidente Jánio Quadros, em 25 de agosto de 1961; o acidente que ocasionou a morte do Presidente Juscelino Kubitschek, em 22 de agosto de 1976; a morte do candidato à presidência Eduardo Campos, em 13 de agosto de 2014; o passamento dos artistas Elvis Presley, Marilyn Monroe e Raul Seixas; o inicio tanto da Primeira quanto da Segunda Guerra Mundial, em 1914 e 1939, respectivamente. O início da construção do Muro de Berlim e a Guerra do Golfo em 1991. Todos esses acontecimentos contribuíram para engrossar a lista de fatos ruins, ocorridos no mês e aumentar o temor dele. Ontem, em acompanhando as notícias que se espalham pelo mundo em fora, vi e ouvi várias pessoas propalarem que o terremoto de 4,6 de magnitude, ocorrido na Bahia, que atingiu vários municípios do Recôncavo, dera-se justamente no fechamento do mês de agosto! Em pleno século 21, o mês de agosto continua cercado de crendices e superstições que o associam à má sorte. Prova disso é que o oitavo mês do ano é o que registra menor número de cerimônias de casamento, que são raras nesse tempo. Muita gente também redobra os cuidados neste mês, evitando fechar negócios, marcar cirurgias e fazer longas viagens, entre outras precauções. Apesar da negatividade atribuída a este mês, pouca gente sabe as razões que a motivaram. Apenas, creem numa visão ilusória, desconhecendo que, em contrapartida, o que preenche essas lacunas históricas supera, e muito, essa gama de crença popular que, muitas vezes, anestesiam as consciências, o que denota uma submissão àquilo que o pensamento acusa. Enquanto tantos de nós chegamos ainda a nos escravizar ao que imaginamos trazer sorte ou azar, por outro lado, já estamos a nos despertar para uma visão mais límpida do Absoluto, passando a seguir as pegadas que nos levam à verdade, no seu mais admirável fulgir. Sem precisar questionar a fé dos que acreditam nesses mistérios supersticiosos, vale-nos encará-los culturalmente, como um aspecto do que se denomina “Folclore”, sinônimos de cultura popular, sedimentada em suas lendas e tradições. E, por convicção ou coincidência, no 22 de agosto é celebrado o Dia do Folclore! Muitos, ainda, chegam a acusar agosto como um mês pachorrento, muito lento, de paciência embotada, longo demais… Certamente, devido ao medo e à apreensão de acontecimentos nefastos que podem advir, é que surge esse fenômeno sócio psicológico que altera, até mesmo, o modus vivendi de quantos! Todavia, se de um lado floresce essas crenças funestas e, até de certo ponto, belas, por outro lado, estampam-se no calendário uma infinidade de celebrações e efemérides que só têm a desmistificar naturalmente essa fé lendária que, ao longo dos tempos, criou uma psicose coletiva. De logo, deparamo-nos com festejos-romaria de Bom Jesus da Lapa que, há 329 anos, foi implantada no âmago da montanha sagrada, a igreja de pedra e luz, tornando-se, pelos séculos em fora, a Capital Baiana da Fé! Ainda, no decorrer deste mês, recebemos as bênçãos especiais da Senhora do Livramento que, desde 1715, distribui do altar da Catedral para todos nós seus filhos, como águas abundantes da cachoeira que sustenta e enfeita populações inteiras! Enriquecem o santoral deste incompreendido mês, as celebrações de tantos vultos religiosos que desmentem a estória do agouro: Santo Afonso de Ligório, célebre doutor que abre com chave de ouro o primeiro dia; de igual modo, São João Vianney, o Cura d’Ars, que, num aglomerado de França, abalou o mundo com seus arroubos e pregações! Santa Edith Stein, a monja carmelita trucidada nos campos de concentração de Auschwitz, na Alemanha de Hittler! Santa Clara de Assis, a destemida fundadora da Ordem das Clarissas, que viveu enclausurada, num tipo de vida solitária, provando que “Deus usa o silêncio para ensinar sobre a responsabilidade das palavras”, como escreve Paulo Coelho! São Maximiliano Kolbe, preso no campo de concentração de Berg-Belsen, na Alemanha, sem, contudo, negar sua fé no Cristo Jesus, morrendo de fome! Santa Mônica, a excelsa mãe e esposa, que tudo fez para converter seu filho, Santo Agostinho, e seu marido, Patrício, encaminhando-os à verdade do cristianismo! Santa Beatriz, São Bernardo de Claravel, São Lourenço, São Tarcísio, São Domingos, estes e outros que formam a plêiade de notáveis cristãos, celebrados no mês que alguns ainda lhe fazem restrições! Destacamos o festejo de Santa Dulce dos Pobres, no dia 13, esta gigantesca Mãe dos Pobres, dos Oprimidos, das Sarjetas e de todos aqueles que não têm voz e vezes! Mas não só isto! O mês de mal-assombrado é onde nos debruçamos para comemorar o nosso Dia dos Pais; o Dia Nacional da Saúde; o Dia do Advogado, aquele que é indispensável à administração da Justiça (art.133, da C. Federal); Dia do Estudante, este que se prepara a cidadania; Dia Nacional da Luta Contra Violência no Campo e pela Reforma Agrária; Dia da Televisão, esse maravilhoso invento da comunicação humana; Dia dos Encarcerados (13/18); Dia do Feirante, daquele que se incumbe de fazer o alimento chegar às nossas mãos; Dia do Soldado, o que, dentro das normas constitucionais, assegura a paz na sociedade; Dia do Bancário, os que se empenham para nos atender nas instituições de crédito; Dia do Nutricionista, profissional responsável pelo equilíbrio na alimentação; Dia do Folclore, o responsável direto pela cultura popular, não deixando que as sadias tradições se aniquilem e desapareçam, vez que “o progresso nada mais é que a tradição em marcha” (Gilberto Luna). Acontece também neste tempo a Semana da Família, a base da sociedade (art. 226 da C. Federal). Ainda, é batizado como o Mês das Vocações, todas as vocações humanas que se aglutinam nos vários eventos lembrados e relembrados nos domingos deste mês! Para nós sertanejos é um mês muito querido e alvissareiro. Se, hoje, foge-lhe um pouco este aspecto, porém, desde as primícias do ano 1715, foi considerado o “o mês das chuvas dos umbus!” Era nele que caíam as primeiras gotas do céu e o sertão ia tornando-se o jardim enverdecido pelas árvores da caatinga que floresciam e encantavam! Mudou-se um pouco este evento, com certeza, pelo desmatamento e demais ações do homem! Entretanto, os umbuzeiros, “as árvores sagradas do sertão”, como dizia Euclides da Cunha, teimam em florir e emoldurar o campo que se fazia seco! Dessa forma, não há como jogar ao escanteio um mês com tantos valores que sufocam essa cultura derrotista que veio criar assombro àqueles que tiveram sempre uma fé frágil que se deixa “levar para cá e para lá por qualquer vento de doutrina”, conforme Paulo, na Epístola aos Efésios 4,14. Em face de essas reflexões, creio eu que já é tempo de desmistificar os conceitos e, logicamente, a história daquilo que engana ou embeleza de maneira falsa. Por isso, sem pretender jogar na lata de lixo a estória e a história de tantas crendices e superstições, inda que sejam sem fundamento. Mesmo assim, é uma cultura, uma vez que se tornam características de um grupo, seja ele familiar, social, étnico, religioso e assim por diante. Em assim analisando, vimos que não poderíamos jamais banir o mês de agosto do calendário, por apenas um equívoco histórico-milenar, pois em seu bojo existem tesouros que enriquecem a humanidade, tocam em nossa sensibilidade mais profunda e nos faz crer que uma visão ilusória não venha destituir a verdade que deve ser a bússola que norteia as nossas inteligências. Salve, Agosto, mês oitavo de nosso calendário, tu sempre fostes visto, pelos tempos em fora como o mês do azar! Muitos te excluíam e o fazem ainda! Sofreste humilhações seculares, marginalizando-o, por uma série de malentendidos! Tu, porém, estás vencendo! Aos poucos, veem-se esparramar pelo chão os preconceitos milenares! Tu sabes, acima de qualquer condenação, que as acusações que te fazem são meramente falsas! “Enquanto os cães latem, a caravana passa”, diz-nos a parêmia! Se tu tens algum azar, não foi a tua culpa! As chuvas dos umbus que molhavam o nosso chão, rareiam nos anos que passam! Mesmo assim, o umbuzeiro floresce e nos alegra com o brancor de suas delicadas flores! É a resposta para todos nós que te acusamos! Faze-nos lembrar que o mês tão temido como tu, tem em tua abertura solene a romaria do Bom Jesus! SÓ ELE BASTA!!!

 Concluo, citando as palavras belas da educadora e escritora Miryan Lucy de Rezende: “Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!”

Antônio Gilvandro Martins Neves

Advogado- Paramirim- Bahia

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

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