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Paramirim
20 de outubro de 2020
Início Paramirim A saudade é uma mesa vazia em um pedacinho de Paramirim

A saudade é uma mesa vazia em um pedacinho de Paramirim

Luiz Barros foi uma dessas pessoas que a gente costuma chamar de um sertanejo virado para a lua. Natural de Caetité, Bahia, terra de Waldick Soriano, de quem foi amigo, ele começou ganhando a vida como alfaiate, depois comprou um Jipe para cortar as estradas da região, carregando passageiros, até que,no final dos anos 50, conheceu uma jovem estudante da vizinha cidade de Paramirim, chamada Maria Ruth, que parece ter sido enviada pelo destino com a missão de mudar os caminhos que havia traçado.

Quando dona Ruth concluiu o magistério, eles se casaram civilmente em Paramirim, e, em seguida, na Gruta de Bom Jesus da Lapa, com a presença dos familiares. Estabelecidos em Caetité, no começo das aulas, dona Ruth foi convidada para lecionar em Paramirim, mas com o firme propósito de logo voltarem para Caetité. Entretanto, como a bendita transferência não saía, eles foram ficando, ficando e não demorou pra Sr. Luiz abrir uma sociedade com o seu cunhado em um caminhão, que ele fazia questão de dirigir por várias capitais do país.

Paralelo a isso, seu tino comercial farejou a oportunidade de abrir um armazém, que logo virou o Supermercado Brás, em homenagem ao bairro em que ele ficava na capital paulista, fato que só fez aprofundar em suas raízes na cidade que ele adotou como sua.

E foi lá, sentado em uma mesinha coberta por um vidro transparente sobre um tecido verde, que o nosso Luiz Barros colocou em prática aquilo que melhor sabia fazer na vida: conciliar as diferenças, qualidade rara no mundo de hoje, onde as divergências imperam. Assim, por mais grave que fosse a discórdia e por mais contraditória que fosse a situação, ele, como ninguém, tinha a palavra certa para acalmar os ânimos mais exaltados, fato imediatamente reconhecido pela população, que o elegeu vice-prefeito por dois mandatos.

Se vivo fosse, hoje, 11 de junho de 2020 -faz exatos 15 anos e cinco dias de sua definitiva viagem -, ele estaria puxando a fila de caminhões que desfilarão pelas ruas de Paramirim em homenagem à Noite dos Motoristas, na tradicional Festa de Santo Antônio.

Contudo, mesmo fisicamente ausente, seus filhos, netos, parentes e amigos sentirão sua presença em cada buzina, em cada badalar do sino da Matriz e em cada foguete daqueles que ele adorava soltar e que enchem o Céu com seus pequenos fragmentos de luz. Viva Santo Antônio! Viva Luiz Barros! Viva os caminhoneiros do Brasil!

Texto: José Eduardo Barros.

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

2 COMENTÁRIOS

  1. Bill surgiro fazer uma matéria com os Motoristas do passado, sem idolatrar nomes.Acredito que vai ser uma matéria com muita riqueza de informações e vai servir para a nova geração conhecer os verdadeiros guerreiros!

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