34.2 C
Paramirim
14 de abril de 2021
Início Paramirim A QUARESMA ANTIGAMENTE - Por Antônio Gilvandro

A QUARESMA ANTIGAMENTE – Por Antônio Gilvandro

Em tempos anteriores a 1950, o povo vivia a Quaresma com bastante austeridade e sacrifício. Tempo de jejum e penitência, as orientações da Igreja deviam ser cumpridas a rigor. O jejum e a abstinência eram impostos na privação total ou parcial de ingestão de alimentos como penitência para conseguir as benesses de Deus e o perdão dos pecados. Quem não cumprisse, pecava. O pároco, entretanto, poderia dispensar alguém através de “bulas” e “indultos”, substituindo estes preceitos por outros atos. Havia pessoas que, por convicção própria, não comia carne em nenhum dia quaresmal, daí a tradição do nome “Carnaval”, que significa “adeus carne”, em latim “carnis levale”. Era também na Quaresma às terças e sextas -feiras, geralmente após a Via-sacra, ao romper da noite, que um grupo de homens subia os morros daqui, da Várzea e da Gameleira e, ajoelhados junto à cruz, quer chovesse ou ventasse, entoando cânticos e impropérios diversos. As suas vozes, ecoando nas encostas dos Montes, ressoavam sobre os telhados das casas. Ali, famílias inteiras ajoelhavam-se em suas casas, unindo-se às preces dos cantores, suplicando bênçãos para os pecadores e infelizes. Naquela época, fizeram da Quaresma um tempo muito tristonho e medroso, criando uma atmosfera lúgubre a envolver os 40 dias. As crianças eram advertidos para não cantar rodas e outras brincadeiras. Não se deveria cantar músicas, a não ser religiosas. Nada de diversão. Os casamentos ocorriam sem solenidade. Era proibida a caça. Recebíamos ordens para não usar o estilingue. Se as crianças fizessem alguma malcriação, eram-lhes prometidas surras, após a “Aleluia aparecer”! Os tambores dos terreiros silenciaram-se! Era tempo de fazer as pazes! A vida normal do povo dava lugar a um sentimento de lamentação. Com o advento do Concílio Vaticano II, velhas estruturas deram lugar a uma visão humanista da Quaresma. Repetindo D. Helder Câmara: “Não há penitência melhor do que aquela que Deus põe em nosso caminho sempre”.

Texto: Antônio Gilvandro Martins Neves.

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Fique Conectado

5,996FãsCurtir
3,600SeguidoresSeguir
105,000InscritosInscrever

Anuncie Aqui

Anunciando sua marca, produto ou serviço nesta página você terá a garantia de visibilidade entre usuários qualificados. São mais de 15.000 usuários únicos e 200.000 visualizações mensais.

Mais Artigos