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Paramirim
25 de fevereiro de 2021
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A primeira telenovela que chegou aos lares de Paramirim

O grande boom da década de setenta em Paramirim foi, sem nenhuma dúvida, a chegada da televisão. Um benefício conquistado a trancos e barrancos face às dificuldades da época, cuja história merece ser contada em tempo oportuno para comemorarmos o seu cinquentenário de existência. Uma epopeia, pouco conhecida por falta do seu devido registro, protagonizada por bravos operários que muito contribuíram para fazer acontecer o controvertido milagre da comunicação televisada na terra do Rio Pequeno.

Com a operacionalização desse benefício, chega também aos lares de Paramirim o entretenimento, o noticiário e a primeira telenovela assistida com grande entusiasmo pelos seus moradores através dos poucos aparelhos de Tv existentes na cidade, todos eles em preto e branco, adquiridos por meia dúzia de pessoas privilegiadas.

De posse desses esclarecimentos, vamos ao pivot das informações que mais nos interessam para afirmar que A FÁBRICA foi a primeira telenovela a adentrar os lares de Paramirim, levada ao ar de 1° de março de 1971 a 11 de março de 1972, pela Tv Tupi, com sede na capital paulista. Como não temos a data exata desse longínquo acontecimento, limitamo-nos a dizer que em maio de 1971 no alto da Serra do Recreio um pontinho vermelho sinalizava a transformação de um antigo sonho em realidade.

Estrelada por Aracy Balababiani, Juca de Oliveira, Lima Duarte, Lucia Mello e outros protagonistas sob a direção de seu criador Geraldo Vancini as cenas dessa novela passaram a ser o assunto principal dos bate-papos em todas as rodas de conversas propagadas de boca em boca pelos quatro cantos da cidade com mais precisão, e interesse do que as notícias das redes sociais de hoje. Foram 280 capítulos de pura emoção, exibidos de segunda à sexta às 19:00 h com 50 minutos de duração, tendo por tema de abertura a Sinfonia em Sol Maior, n° 40, de Mozart. Figura-se entre as melhores produções da emissora.

Faz parte desse período os inoportunos televizinhos, o chuvisco, o margeia mas não proseia, o anda ligeiro que já vai começar a novela, o pedaço de Bombril na ponta da antena e o famoso tapinha no cacuruto do televisor para ressuscitar a imagem. Não bastasse tudo isso, não existia controle remoto, nem antena parabólica, mesmo assim, éramos felizes e não sabíamos. Durante o dia não havia energia elétrica e por conta. Dessa realidade a classe estudantil e as donas de casa não perdiam o precioso tempo diante da tv, como se outra opção de diversão e lazer não existisse senão ver o que se passava lá fora.

Abrimos aqui um parêntese para dizer que a Rede Tupi, patrocinadora de nossa primeira telenovela, foi uma rede de televisão brasileira criada em 18 de setembro de 1950 pelo empresário e jornalista Assis Chateaubriand, proprietário dos Diários Associados, sendo a primeira emissora de Tv do Brasil. Fechou suas portas em 18 de julho de 1980, após o Governo Federal publicar Decreto no Diário Oficial da União que declarou peremptas 7 de suas emissoras próprias por dividas com a previdência social e corrupção financeira derivada da crise que assolou o conglomerado desde a morte de Chateaubriand, em 1968 ( wikipedia ).

Assim, nesse esperançoso ano de 2021 em que já nos encontramos, mais precisamente no seu primeiro semestre, estamos completando cinquenta anos de televisão, uma conquista que fez mudar os hábitos de uma cidade, até então mais bucólica do que urbana. Uma cidade que ao cair da noite seus moradores se reuniam na porta da rua em longas assembleias com a vizinhança para contar e recontar casos, passear no jardim da praça principal ou assistir às costumeiras missas e novenas dos finais de semana. Com a chegada da Televisão, as tradicionais cadeiras de couro ou de palhinha em torno de uma mesinha de centro na sala de visitas cederam lugar aos sofás para acomodação dos telespectadores, marcando por conta dessas mudanças o advento dos doloridos problemas dorsais que martirizam grande parte da população decorrentes do desvio da coluna cervical. Culpa da televisão.

Paramirim, 15 de janeiro de 2021

Prof. Domingos

Facebook de Domingos Belarmino.

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

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