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Paramirim
14 de abril de 2021
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A primeira partida de futebol realizada em Paramirim

Não se sabe ao certo quando o futebol chegou às barrancas do rio Paramirim. Coisas de cem anos ou mais. Pelo que se conta, em 1918, a pelota já rolava no áspero chão da praça da Concórdia, hoje, denominada praça Érico Cardoso. Por intermédio de quem, chegou, também não se sabe. O certo é que veio para ficar. E acabou ficando. Ganhou a preferência popular, virou por excelência o esporte dos paramirinhenses. Por trás de cada jogo realizado, de cada momento vivido, de cada resultado conquistado há sempre uma história interessante a ser contada, digna de ser ouvida, embora com raros registros como o que se segue.

PARAMIRIM E O 7 DE SETEMBRO

” Recebemos da florescente Villa de Paramirim o seguinte comunicado que transcrevemos aqui:

Com brilhantismo, foi comemorado este ano em Paramirim a data da nossa independência. Pela manhã houve alvorada: às 10 horas missa solene em louvor ao Senhor Bom Jesus, assistida pelo batalhão de Escoteiros da Escola Masculina, dirigida pelo Prof. Plínio Oswaldo Passos, sendo por essa ocasião solenemente benzida a bandeira nacional do batalhão. Às 13 horas foi inaugurada a Associação de Escoteiros de Paramirim. Às 14 horas, realizou-se no salão nobre da Intendência Municipal a sessão cívica, presidida pelo Cel. Leopoldo Leão, presidente do Conselho Municipal, secretariado pelos senhores José Maria de Sá Barreto e Padre Durval Salles. Cantado o Hino da Independência pelos alunos da escola, seguiram-se recitativos pelos mesmos, tendo após, usado da palavra o Prof. Plínio Passos que fez uma aplaudida conferência sobre assuntos relativos ao ensino. Seguiu-se lhe com a palavra o Padre Durval que em brilhante improviso felicitou ao professor e discorreu sobre a data. Encerrada a sessão, dirigiram-se os presentes para à Praça da Matriz onde assistiram ao desfilar do batalhão, e suas evoluções, atletismo e por fim a interessante partida de pelota entre os valentes quadros Rio Branco e Ruy Barbosa, sendo este último o vencedor pelo diminuto ” score ” de 1x 0. A festa acima noticiada muito recomenda os costumes e cultura cívica do bom e laborioso povo de Paramirim, a quem apresentamos as nossas felicitações e aplausos. JORNAL A PENA de 24 de Setembro de 1925 – Caetité, Bahia.

Antes dessa data, nenhum outro registro foi encontrado para subsidiar a chegada do futebol à terra do rio pequeno. Por conta disso, tomamos a histórica partida realizada na praça da Matriz, na tarde de 7 de setembro de 1925 entre os quadros Rio Branco e Ruy Barbosa, constituídos por alunos do professor Plínio como o primeiro evento futebolístico de Paramirim. Uma partida, assistida, inclusive, pelas autoridades da vila, registrada e bem registrada pelo Jornal A Penna da cidade de Caetité como parte das comemorações cívicas realizadas sob a coordenação do professor Plínio Oswaldo Passos. O original dessa preciosa nota pode ser encontrado no arquivo público municipal do berço de Anísio Teixeira, onde se acham preservadas as edições do periódico do Sr. João Gumes, o introdutor da imprensa no alto sertão da Bahia.

Sobre o professor Plínio Oswaldo Passos, ilustre soteropolitano, ficam aqui asseverados os nossos louvores pela relevante iniciativa que teve em comemorar o dia 7 de setembro de forma tão brilhante no solo paramirinhense, envolvendo patriotismo, ludicidade, associativismo e cidadania na preparação de seus alunos, numa época em que a escola era totalmente desprovida de qualquer recurso material. O prof. Plínio chegou a Paramirim nomeado por ato do governo estadual para reger a única classe do sexo masculino da sede da vila. Foi mestre escola de vários próceres, dentre eles, os irmãos Antônio e Ulysses Cayres Brito, pessoas que se notabilizaram graças ao que aprenderam pelo antigo sistema educacional brasileiro. Dessa forma, merece estar na galeria dos desportistas da história local, como um grande benfeitor. 

Imaginar como era a vila de Paramirim na década de 20, seria compor no nosso imaginário uma comunidade de poucas ruas, com casas rarefeitas e pouquíssimos moradores. Uma comunidade mais rural, quem sabe, do que urbana com uma igreja matriz, três capelas e algumas repartições públicas, dentre elas, a delegacia de polícia, a Intendência e o conselho municipal, as coletorias federal e estadual, os cartórios e uma agência dos correios. Tudo isso, ou quase tudo, girando no contexto de urna praça central com um pequeno barracão (mercado), uma feira livre semanal e poucas casas comerciais. Foi nessa década que aconteceu a passagem dos revoltosos pelo sertão baiano e a chegada do primeiro automóvel a Paramirim. Foi nesse decênio que ocorreu o assassinato do Pe. Joaquim Maria Vieira e a realização do primeiro jogo de futebol na terra de Santo Antônio.

Imaginar como foi realizado esse jogo, no tempo em que a bola era chamada de pelota e o placar de score, é mirar pelo retrovisor a imagem de um fato se distanciando dos olhos e da interpretação, cada vez mais. Reproduzir os seus pormenores, presentes na época em que o conselheiro, o intendente municipal, o padre e o professor se reuniam em sessão solene para juntos prestigiarem um evento escolar, numa fase em que alunos recitavam poesias em solenidades públicas como pequenos cidadãos é desenhar um imenso vazio na alma e no coração por saber que nada disso está sendo explorado atualmente pelas unidades de ensino nos seus diversos níveis e modalidades. Ponderar essas nuances é se sentir criança outra vez, mesmo sem ter vivido as emoções desse distante acontecimento.

Narrar tudo isso, da forma como as lembranças me vêm a cuca, deixando para trás, prostrados na esteira do tempo, inúmeros detalhes, sem o devido acolhimento, é me sentir comprometido com uma inédita e desafiadora narrativa. Assim sendo, me vejo novamente menino pisando o chão ondulado das praças sem calçamento, disputando bola com dezenas de pés sob o sol escaldante dos meses de outono, indiferente ao desenrolar dos fatos mais distantes. Não faço ideia, como foi esse jogo, mas posso falar com os meus botões pelo que senti e vivi na aurora da minha vida. Nada mais foi do que uma partida de futebol entre adolescentes, numa praça forrada de pedregulhos, ao longo dela um improvisado campinho de futebol com garotos ofegantes, talvez sem uniformes, sem regras e sem aplausos, predestinados, porém, a protagonizarem as primeiras páginas da história do futebol de Paramirim.

Paramirim, 13 de março de 2021.

Prof. Domingos

Fonte: Facebook de Domingos Belarmino.

Luis Carlos Billhttps://focadoemvoce.com/
Luiz Carlos Marques Cardoso (Bill) trabalha de forma amadora com fotografia e filmagem. Ele gerencia atualmente dois sites: um de notícias e um pessoal. Está presente nas redes sociais, como no Instagram e Facebook, e tem um canal no YouTube com uma variedade grande de vídeos referentes à região da Chapada Diamantina e do Sertão brasileiro. Sua formação profissional é a de Contador.

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