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deixava meu passado tranquilo para um presente cheio de expectativas, desfazia-me dos grilhões pesados para uma vida livre pelos céus azuis da vida. Choramingar por algo irreversível estaria eu me desfazendo do meu bem de direito. Meu pai se foi, porém devo continuar andando com meus passos, parar e ficar pensando como poderia ter sido, por que assim, viria a ser o meu maior erro. Devo encarar a realidade, pois a fantasia não consegue mudar o presente, nem tão pouco o passado, poderá, com toda certeza, o futuro.
Acordei bem cedo, os galos há horas já fizeram suas algazarras, o sol já se encontrava alto no horizonte, não era tão madrugada assim, sair e fui procurar os colegas. Minha intenção se pautava, de qualquer maneira, em ir conversar com o velho dos olhos verdes. Quando tocava no assunto causava uma agitação intensa entre os amigos. O certo é que nenhum quis me acompanhar na visita. Um afirmava que eu estava louco, Paulo que o velho iria me pegar para tirar os órgãos, teve outro que disse que eu fui enfeitiçado pelas magias negras daquele bruxo de barba branca e farta.
- Eu irei lá, com ou sem vocês!
- Eu duvido! – gritou Pedrinho.
Parti para o sobrenatural sem saber sequer se retornaria. Minha coragem sustentava-se na razão, a existência perdeu todo valor para mim. Não tinha medo do velho porque não tinha medo da morte. Se tivesse medo da morte teria medo do velho de olhos verdes e barba branca e farta. Morrer seria o caminho mais curto para rever meu pai, mas no fundo a vida já começava a me impressionar, estava voltando a gostar de viver. O perigo consegue dá esse sabor, esse gostinho de desvendar novos caminhos, quando se quer mais, quando se é desafiado, sempre se pede outro pouco e tantos outros, pois jamais se farta, todavia se parar perde o porquê da vida e a vida perde todo o seu sentido. Já que eu irei morrer um dia, que seja o mais distante possível, pois cedo ou tarde verei meu querido pai, indo agora, deixarei minha maravilhosa mãe neste mundo perigoso e ainda por cima sozinha. Para que pressa se eu tenho muita estrada para seguir e muito tempo para ser gasto? A morte que me espere lá na velhice, o gostinho de me levar jovem ela passará na vontade dos muitos dias e anos.
Ao chegar defronte a casa mal assombrada me detive por um curto período e deixei três palmas se espalharem pelo ar. Esperava que a porta fosse se abrir e de lá surgisse o velho Sebastião. Uma mão pesada e áspera pousou sobre meu obro feito à garra de uma ave de rapina, um Carcará. Assustei-me pelo acontecimento, estava, contudo, seguro o suficiente para encarar meu destino. Não queria morrer, porém não tinha medo da danada.
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