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- Filho, é hora de se levantar! Temos que ir.

O dia estava no aconchego de uma macia e quente manta; ainda não sou escravo do labor; levanto-me em plena penumbra para esperar o desabrochar da vida com fogos de muito júbilo. Quem sou eu para desobedecer à menor ordem pronunciada por papai. Não vá pensando que ele bate ou grita comigo. Não, papai para mim é o melhor homem do mundo. Se alguma vez fez ou vier a agir desta ou de forma diferente, certamente, que a culpa tenha sido minha. Enquanto pensava o que acabei de dizer já não me encontrava na casinha onde moro na companhia dos meus doces pais. Meu genitor ia à frente com seus passos largos, eu, de canelas finas e curtas, com os braços cruzados, corria em vão na tentativa de acompanhá-lo. Madrugada fria, vento a soprar forte o emaranhado de nuvens; como estou apenas de short e uma fina blusa a cobrir os braços, a todo instante os dentes se chocam produzindo barulho. Rogo aos Santos pelo sol quente que neste instante brilha em outras paragens para povos de línguas e culturas distintas da nossa. O trabalho de papai é na lida do campo: plantando, colhendo e cuidando dos animais. Se Deus quiser, e Ele há de querer, o meu assim também será.

- Filho, abria a porteira de entrada ao curral, hoje você irá aprender a ordenhar as vacas.

O frio pegou estrada no instante em que escutei aquelas maravilhas. Sempre quis ser como papai. Quantos foram os sonhos, perdi as contas. Nunca me esqueci daquele dia, a data onde subi a escada para sentar-me junto aos homens. Sequer sabia que na tarde da minha vida olharia para minha doce manhã com saudosos olhos a fluir dois córregos de água salobra. Quando temos o verdadeiro ouro em mãos não damos o valor devido, acabado o doce nos restam apenas as lembranças açucaradas das delícias gozadas que não há receita para segunda degustação. Viver por si só já vale uma vida, isso quando se vive saudável e de bem consigo mesmo. Quem possui boas recordações é pelo simples fato de ter usufruído com sabedoria os seus dias passados.

Apertava os peitos da vaca devagar, o animal era de cor preta e branca, isso ainda eu me lembro bem, meu medo era de machucá-la, por isso havia receio em pôr força. Pensei comigo: “Antes eu mamava nos seios de mamãe, hoje aperto os peitos deste animal, amanhã como será?”. Olhe como já me perdia nas loucuras de adulto, mas esse raciocínio vem de hoje, naquele tempo minha cabeça não possuía lugar para algo assim. Tinha os pensamentos e os atos de um anjo. Com o passar dos anos e dos acontecimentos o anjinho se fecha no casulo, logo se transforma, poucos ganham a beleza das borboletas, a grande maioria são lançados na loucura da escuridão. E o mundo fervilha com suas muitas cores, umas singelas, outras densas. A vida faz acontecer e se alto propaga em seus vários tons e formas.

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Minha primeira obra será escrita diretamente na Net. O livro será escrito página por página, semana após semana. Desta forma, conseguirei dá curso a um dos meus sonhos, não terei custo na sua confecção e ainda por cima poderei disponibilizá-lo gratuitamente. Gostaria que os possíveis leitores se interagissem comigo, através de elogios, de críticas, apontando erros. O nome do livro só será divulgado quando escrito e publicado a sua derradeira página. Quem sabe alguém não o descobre.

“Vou por meios das palavras e pensamentos tentar criar um novo mundo. Serei um deus, nem que seja nas minhas pífias invenções. Que venha a mim os sujeitos, os pronomes, os verbos... essas serão as minhas pesadas ferramentas”.

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