Sítio de Pinturas Rupestres Caraíbas Paramirim Bahia "Paredão contendo três painéis de Pinturas Rupestres. Povoado de Santa Tereza, Paramirim, Bahia"

Espedição a Santa Tereza.

    Acordei antes do sol para uma visita ao povoado de Santa Tereza. Fui convidado pelo marido de uma das minhas irmãs. Além da minha irmã, do esposo dela, tinha o filho deles e uma sobrinha, todos a bordo deste passeio.
    O dia ainda escuro, a noite começava a perder sua luta diária, e nós já estávamos na estrada. Nossa BA 156 foi o começo da jornada. Percorridos oito a dez quilômetros, estrada à esquerda, rumo ao nascente. Caminho de terra que nos leva ao povoado de Canabravinha. No povoado entramos por uma entrada ao norte. Deste trecho em diante somente serras. Passamos pelo Brejo e tão logo chegamos a um pequeno açude de cimento. Estávamos em Santa Tereza. A viagem toda não passa de quarenta quilômetros. Gastamos aproximadamente uma hora.
    O dia ainda acordava timidamente e nós a beira do açude tomávamos delicioso café da manhã. Pássaros cantavam alegremente pelos vastos arvoredos. Um friozinho gostoso abraçava aquelas paragens.
    Já no povoado, meus sobrinhos se esbaldavam, meu cunhado foi chamar o senhor que nos serviria como guia. Logo partimos rumo ao Sítio da Cruz. Apenas eu, meu cunhado e o guia, os demais ficaram na casa de um conhecido. Passamos pelo campo de futebol e subimos sempre rumo ao nascente. Muitas cercas a transpor. Fizemos uma volta em um penhasco, sobre um carreiro estreito. Nesse percurso saboreei uma deliciosa fruta, de cor amarronzada, repleta de sementes minúsculas em seu interior, chama-a aqui de “marmeladinha”. Entramos em um lindo bosque, ao lado sul uma serra pequena, mais ao longe outra maior, queimada por um incêndio há poucos dias. Nesse trecho a Caatinga perde espaço ao Cerrado. Pequizeiros estão para onde os olhos apontam. Há também Cagaita e Mangaba. Antes passamos em uma pequena nascente. Três senhores vinham do povoado da Barra, pertence a Érico Cardoso (antiga Água Quente). Estavam ali em busca dos pequis amarelos. Santa Tereza faz divisa com a Barra. Andamos cerca de cem metros.  De longe dava para ser visto um dos três painéis feito pelos Índios Tapuios em tempos remotos. Enquanto meu cunhado saiu para catar pequi, eu e o guia fomos em direção às artes indígenas.
    De todos os Sítios Rupestres que já visitei, esse se encontra em melhor estado de conservação. Pinturas nítidas, cores vivas, sem pichações, pouco desgaste pelos fenômenos naturais. O primeiro painel, por sinal, o maior. Três a quatro metros de largura, por dois de altura. A parte do chão possui um metro. Desse local abre-se uma paisagem deslumbrante do pequeno Cerrado. O segundo painel fica a dez metros do primeiro, nele há uma pintura grande de um animal, o guia me disse ser um “Tamanduá-mirim”, ou no seu linguajar (Meirim). No terceiro painel, outros dez metros, menor um pouco do que o primeiro, outro animal me chamou a atenção, a seriema. Naquele dia já havia escutado o canto dela pelas intermediações. Mas agora via o seu desenho na rocha, fruto da imaginação fértil de um índio. São dois desenhos da seriema. Existem outras várias imagens de bichos e grafismos diferentes. No local, virado ao pôr do sol, o sítio fica frente ao poente, há uma pequena abertura em uma rocha, olhando melhor parece ter sido cortada por humanos. Não tenho certeza de qual sua utilidade, a primeira impressão é de ser uma porta. Mas para que porta em tal lugar?
    No mais não precisa ser mencionado.
    Esse passeio aconteceu no dia 20/01/2008.

Luiz Carlos M. Cardoso

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