Arte Rupestres, rock art "Luiz Carlos Bill, Fernando Bonetti ao fundo, Lúcia Beatriz,"

Espedição Mateus.

    Levantamento preliminar dos sítios arqueológicos com arte rupestre do vale do  Rio Paramirim coordenados pela Profª. Maria Beltrão do Museu Nacional/UFRJ e sua equipe.

    No dia 16/07/2010 saímos da sede de Paramirim rumo a Comunidade de Mateus. Pegamos a BA 156 entramos no Município de Caturama e subimos a serra. A estrada deixava no rastro do carro uma nuvem de poeira branca. Essa seria nossa última abordagem neste ano, pois o tempo de Fernando e Lúcia aqui na região chegava ao fim, eles teriam que retornar ao Rio de Janeiro.

    Chegamos ao Mateus e paramos na residência de Paulo da Vila. Após uma breve conversa dois habitantes do local se encarregaram de nos guiar até o sítio (Valter e João). Subimos a grande serra, no alto, quase no seu topo, o GPS nos dava a altura de 1000 metros acima do nível do mar. Na subida, João sempre alegre e sorridente contava histórias e mostrava as potencialidades das plantas; já Valter apenas falava quando era indagado.

    O sítio era a continuação do outro que fomos tempo antes, apenas muda de paredão, termina um e tem um pequeno vão e logo começa o outro (cinqüenta metros entre um e outro). A parede alta possui pinturas quase por todos os lados, porém por estar de frente ao nascente sofre com o sol e o vento que bate forte nas rochas desgastando-as. Há vários pontos onde a parede sofre pelo descascamento, esse fenômeno consome com as camadas de pinturas, algumas vezes ficam apenas fragmentos delas. No passado, usando da observação, esse paredão era coberto em toda a sua extremidade pela arte dos índios.

    As pinturas que me chamou mais a atenção foi a de um cardume de peixes e a de um ser que parece a um astronauta com seu capacete. Existe uma quantidade enorme de veados, de mãos, mãos com seis dedos, com quatro e com cinco.

    Olhando ao redor perdemos a vista na contemplação das cordilheiras que nos cercavam. Por certo que naquela imensidão há muito a ser descoberto e pesquisado. No passado um tipo de cultura cresceu nesse lugar, com suas crenças, com suas músicas, com suas leis. Hoje já não a temos mais, apenas nos restaram seus relatos nas paredes rochosas.

    Retornamos na metade da tarde. Ao vencermos a descida paramos em uma pequena plantação de cana e abóbora, o dono lá estava e nos presenteou com algumas. Paramos novamente na comunidade para dá uma olhada nas pedras de um rapaz comerciante. Ele possuía algumas, cristais, rutilo e outras que desconheço o nome.

    Retornamos já no entardecer.

    Esse passeio aconteceu no dia 16/07/2009.

Luiz Carlos M. Cardoso

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