Arte Rupestres, rock art "Fernando Bonetti ao fundo, Lúcia Beatriz, de camisa vermelha Uilton, na frente Luiz Carlos Bill"

Espedição a Gameleira e Santa Tereza.

    Levantamento preliminar dos sítios arqueológicos com arte rupestre do vale do  Rio Paramirim coordenados pela Profª. Maria Beltrão do Museu Nacional/UFRJ e sua equipe.

    Seis de julho de 2009, segunda-feira, nós (Luiz Carlos Bill, Fernando Bonette e Lúcia Beatriz) saímos da sede para conhecer dois Sítios Rupestres que se encontram na zona rural de Paramirim Bahia, por sinal, uma região onde há uma infinidade de sítios arqueológicos dessa espécie. Essas visitas já vinham sendo perpetrada por nós já faz algum tempo.  Representando o Museu Nacional do Rio de Janeiro, um amante das Artes Rupestres, Fernando Bonette, que já esteve aqui na região em outras ocasiões, e sua esposa Lúcia Beatriz se deslocaram do Estado do Rio de Janeiro para Paramirim no intuito de catalogar o máximo de Sítios possível para um futuro projeto que abrangerá todo o vale do Paramirim e outras cidades próximas. Como já os conheciam pela internet, depois por uma visita deles a Paramirim no ano de 2008, ficou certo para que eu os acompanhasse aos Sítios. Como o interesse também é meu, e uma preocupação latente do Site Focadoemvoce.com, fomos para essa jornada que apenas estava se iniciando, pois muitas outras visitas em outras localidades seriam realizadas no decorrer dos dias.
    Deixamos a sede do Município às nove horas da manhã rumo à comunidade de Gameleira, aproximadamente quinze quilômetros. Entramos na comunidade de Canabravinha e de lá seguimos para nosso objetivo. Entre essas duas comunidades vimos logo ao lado da estrada na beira de um tanque uma garotada na labuta de fazer tijolos de argila. Passava já das dez horas quando paramos defronte a um prédio escolar e pedimos algumas informações. O Sítio estava próximo. Chegamos a Fazenda de José Martins, o filho dele (Uilton) foi quem nos recebeu. O mesmo se incumbiu de nos levar ao Sítio. Andamos uns vinte minutos e já estávamos no leito seco de um riacho, subimos um pouco e deparamos com as rochas e suas singulares pinturas. No local, por ser de fácil acesso, continha rastros dos vândalos, nomes escritos sobre os letreiros.
    Depois de realizado nosso trabalho de catalogação, juntamos nossos pertences e retornamos a casa de Uilton, esse sempre acompanhado pelo seu cão de nome Lobo.  Conversamos um pouco, conhecemos o filho do dono da casa, nos deliciamos com saborosas laranjas e ainda levamos um litro da famosa aguardente. Nosso próximo destino, Caraíbas, casa de João Luiz.
    Chegamos à comunidade de Caraíbas já passava do meio-dia, a feirinha se encontrava em seu final. Paramos em uma barraca de uma senhora que vendia salgados, nossa refeição seria a base de coxinhas e pastéis. Feito o lance rápido fomos à casa do nosso amigo João. Chegando conversamos com o pessoal da casa enquanto João preparava seu equipamento. Olhamos o livro “Escrito na Pedra”, tomamos um delicioso café e comemos apetitosos biscoitos.
    Deixamos Caraíbas quase às três horas, nosso próximo destino, comunidade de Brejo de Santa Tereza. Retornamos a Canabravinha e pegamos uma estrada à esquerda, são quatorze quilômetros de muitos buracos, pó e subidas. Chegamos às quatro horas. Chamamos nosso guia e fomos ao Sítio. Diocleciano sempre à frente nos conduzia ao local onde outrora viveram os Tapuios. Andamos em meio à vegetação de cerrado, nesse ponto fica quase mil metros a cima do nível do mar. Após ter vencido pouco mais de três quilômetros chegamos ao local escolhido pelos antigos habitantes dessas paragens para expressarem suas artes e assim nos ter legado algo desse passado que foi dizimado pelos brancos. Fotografamos, filmamos e Fernando fez algumas pesquisas quanto à posição do sol sobre algumas pinturas, contaram-se três fieiras de pontos, o total coincide com o Calendário Lunar (354 dias).
    Retornamos já com a Via Láctea sobre nossas cabeças, por sinal, onde não há incidência de luz artificial nosso céu brilha tão intenso e lindo que nos faz pensar que o mesmo naqueles tempos remotos aguçava as mentes do povo dessa terra que durante a noite se deliciava a observar o céu estrelado e dele, com certeza, tirando algumas conclusões, essas expostas de forma brilhante nos paredões. As rochas pintadas podem ter uma forte ligação com os estudos dos astros, pois deixar marcado em papel ou mesmo rocha vem a ser uma maneira inteligente de preservar o estudo feito.
    Passamos em Caraíbas para deixarmos João Luiz e retornamos para sede de Paramirim para descansar, porque no dia seguinte, outros locais nós iríamos visitar. Este primeiro dia teve cem por cento de aproveitamento, dois Sítios visitados em dois lugares abordados, mas nem sempre será assim, pois muitas das vezes andamos sobre sugestões de outrem, esses, às vezes, gostam de pregar uma peça.     Esse passeio aconteceu no dia 06/07/2009.

Luiz Carlos M. Cardoso

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