Isa, Pricilla e Aline, Catuaba "Na foto da esquerda para direita: Isa, Pricilla e Aline".

Espedição ao Catuaba.

    Nosso destino hoje será, novamente, o Riacho do Catuaba, a Loca dos Tapuios. Estamos no dia 24, do segundo mês do ano de 2008. Dia quente, abafado, faz calor beirando os 40 graus. Nossos veículos, as velhas bicicletas, cansadas, mas sempre disposta a nos levar onde as pernas agüentarem. Preparamos a tralha, e seguimos viagem.
    Descemos pelas ruas da cidade, pegamos a Orla da Lagoa, subimos pela Rua da Pipoca, saímos na BR 156. Continuamos em direção a Livramento. Em frente à “Cerâmica São José”, viramos à esquerda, entramos em uma estrada estreita, de terra. Após vinte a trinta metros paramos para que dois carros de bois pudessem seguir seu rumo. Sobre um dos carros, uma senhora saboreava um delicioso umbu, enquanto que na outra mão segurava igual segura a ouro outras tantas pérolas da Caatinga. Aquela vontade nos abateu. Logo, quarenta metros, um oásis. Do outro lado da cerca um verdejante umbuzeiro pedia a nós que pegasse alguns dos seus verdes e lindos frutos. E assim fizemos. Pedalamos mais um pouco e, outra árvore nos gritou: “Olhem! Aqui tem umbu fresco e doce. Vem. É de graça. Podem colher o tanto que desejarem.”. Três dos nossos passaram pelo arame farpado da cerca e foi logo enchendo a sacola. Na saída o umbuzeiro nos disse: “Na volta vocês entrem e apanhem mais. Fico feliz quando pessoas, ou mesmo algum bicho, vêm comer dos meus frutos. Não sabe a minha satisfação”.
    Paramos na sombra de alguns arbustos do nosso bioma, antes havíamos entrado por um corredor à esquerda. Da casa onde moro até esse local são exatos cinco quilômetros, fato que vim a ter certeza com o aparelho de GPS. Desta cerca até a Loca dos Tapuios são mais mil metros, aproximadamente. Deixávamos as bikes para usar nossas pernas. Passamos pelo leito do Riacho, já faz algum tempo que não chove, água se encontra parada em algumas poças. Continuamos a subir, sempre parando para saciar a sede, o sol cozinhava nossos cérebros. Ao atravessar de uma pedra para outra, vi algo se mexer. Olhei. Na minha frente, uma cobra amarela saia da poça d’água, tentava escalar a rocha, sempre voltava, acredito que o fracasso desse réptil rastejante esteja relacionado à quentura da rocha. Jackson correu para averiguar. Andei mais um pouco e o grupo se encontrava na sobra da primeira Loca dos Tapuios. Aqui, olhando com cuidado e atenção já dar para observar algumas artes dos índios. A loca estar toda queimada, fruto dos piqueniques dos homens brancos. Chegamos a Cachoeira do Catuaba. Água mesmo só no pequeno lago, sua queda estava deserta a esperar por chuvas. Continuamos a subir, os obstáculos aumentava, porém não chegava a incomodar. A pior parte fica reservada para a subida da serra. Quando deixamos o riacho e subimos à direita. Muito mato, às vezes, temos que abrir caminho. Com muito esforço e suor, em fim chegamos.
    De imediato, via algumas pedras e dentro resto de fogueira. As telas das pinturas nesse meio tempo da minha ultima vinda ganhara novos nomes, novos riscos. No auto, em uma parte à direita, infiltração começava a deteriorar os desenhos. As pinturas que há poucos dias estavam feridas, mas vivas, já olhava para mim como assombração. Estão matando nossa história, como mataram os donos dela. O descaso me leva a questionar o quanto tempo ainda temos neste terceiro Planeta do Sistema Solar? Colhi os dados em que vim buscar, enquanto os colegas saboreavam lanche e tirava suas fotos.
    A volta foi mais tranqüila. Como dizem por aí: “Descer qualquer Santo ajuda”. Paramos novamente nos umbuzeiros, duas sacolas praticamente cheias. Voltávamos felizes, satisfeitos e cansados. Um domingo qualquer que fizemos dele um dia especial. Dormir nem sempre vem a ser a melhor opção para um feriado. Esse é o meu pensamento.
    Participaram da aventura: eu (Luiz Carlos Bill), minha irmã (Pricilla), Jackson, Isa e Aline. 24/02/2008

Luiz Carlos M. Cardoso

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