tapuios "Dança dos índios tapuias, óleo sobre tela de ALbert Eckout, 1641".

Os Tapuias, conhecidos também por Bárbaros, povoaram grande parte da Chapada Diamantina no Estado da Bahia. Esse grupo indígena fora responsável pela criação das gravuras espalhadas pelos inúmeros Sítios de Pinturas Rupestres existentes no nordeste. Pelo grande extermínio dos indígenas que se deu após a chegada dos portugueses na Terra de Santa Cruz, hoje, o que restou dessa tribo foi justamente seus indecifráveis desenhos.
Tapuia, que na língua Tupi quer dizer “bárbaro”. Os Tupis chamavam aqueles que viviam na Tapuiretama (no interior) de Tapuios ou Bárbaros. Eles viveram praticamente no sertão, seus grupos receberam nomes a partir da região onde moravam: Cariris (Serra da Borborema), Tarairiou (Rio Grande e Cunhaú), Canindés (no sertão do Acauã ou Seridó). Suas tribos viviam distantes e independentes umas das outras. Guerreavam entre si, ou contra os Tupis. O nome Tapuia, por sinal, na língua Tupi também quer dizer “inimigo”.
Os Tapuias não foram um único povo, mas vários. Estavam divididos em muitas tribos, entre elas: Tarariú, Kanindé, Paiakú, Genipapo, Jenipabuçu, Arariú, Anacé, Karatiú, Karirí, Kaririaçú, Kariú, Guanacé, Guanacésguakú, Guanacé-mirim, Jaguaruana, Jagoarigoara,Assanasseses-Açú, Kataguá, Aimoré, Aperikú, Aperuí, Aeriú, Kixerariú, Irapuã, Acimi, Vidaé, Xibata, Akarisú, Tokaiú, Akoki, Tukurijú, Okingá, Karku-Açú, Guaiú, Jurupary-Açú, Kamamú, Parnamirim, Xixiró, Xokó, Kipapá, Kikipaú, Humor, Kabinda, Genipapo-Açú, Jurema, Jururu, Irapuã de Granja, Kandadú, Kerereú, Kandandú, Akigiró, Kipapau, Akanhamakú, Anaperú, Kixariú, Guarium, Kixará, Panaticnarema, Javó, Apujaré, Koansú, Inhamún, Kixelô, Juká, Perga, Juguaruana, Jaguambara, Palié, Panatí, Pianí, Kanén, Kalabaça, Baturité, Kamocim, Ikó, Ikozinho, Kariré, Akonguaçú, Pitaguary, Tremembé...
A partir do século XX os Tapuias passaram a ser classificados pelos pesquisadores por grupos distintos: Gês, Caraibas e Cariris. Os Gês constituíam a maior parte dos Tapuias. Povoaram a Amazônia, depois desceram para o litoral, onde foram expulsos pelos Tupis e pelos Brancos. Fugiram para o Pará, Maranhão, Piauí, Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná. "Gê significando chefe, pai, ascendente" (Arthur Ramos).
Os Tapuios eram índios de cor marrom, corpulentos e fortes. Os homens deixavam os cabelos cresceres, enquanto que as índias na maioria os cortavam. Andavam nus, mas cobria as partes intimas com objetos feitos a parti de matéria prima extraída da natureza. Enquanto que os índios eram grandes, as índias possuíam estatura pequena e eram gordas. Gostavam de usar enfeites nas ocasiões especiais, nas guerras e nas danças. Esses objetos fabricados de folhas de plantas, pena de aves e lascas de paus para confecção de colares e brinco.
A língua era de difícil compreensão, tremula e cantada. Como muitos dizem: “língua travada”.
Eles adoravam as forças da natureza e alguns animais, o trovão, o sol, a constelação de Usa Maior, serpentes, aves, raposa...
Praticavam o canibalismo. Devoravam até os mortos da própria tribo. Faziam isso na intenção de absorver as forças do morto. Comiam inimigos, quando esses fossem corajosos e fortes, já os fracos e medrosos não tinham interesses. Quando capturado um guerreiro, esse preferia a morte que se sujeitar a outra tribo.
Apossado de doença incurável outro índios o sacrificava na intenção de privá-lo do sofrimento.
A puberdade era o momento onde a donzela escolhia seu parceiro para casar. O ritual acontecia em meio a danças e cantos. A índia era quem escolhia o parceiro. A virgindade era bastante valorizada. Um índio podia ter mais de uma mulher. O adultério poderia acabar em mortes ou na expulsão da índia da tribo após uma surra.
Não possuía morada fixa, eram nômades. Assim que chegava a um local procuravam um lugar apropriado para construir um abrigo, na maior parte das vezes sobre penhascos ou na encosta desses; também habitavam cavernas. Dormiam no chão sobre palhas ou ramos de arbustos. Geralmente mantinha as moradas perto de leito de rio, riacho ou lagoa, onde o alimento era mais abundante e de fácil acesso. Ficavam não mais que quatro dias em uma área, dependia da quantidade de alimentos. Deixavam o local quando a reserva de alimentos já havia se esgotado por completo. Comia de tudo, desde cobras, lagartos, mel, frutas agrestes, peixes, batatas... A carne devorava crua ou assada, não usava tempero. Não semeava, e se faziam era algumas tribos, na maior parte viviam da coleta e da caça.
Usavam arco e flecha, anzóis feitos a parti de espinhas de peixes. Inventaram a arapuca. Nas guerras eram temidos, chegavam quietos e no embate faziam bastante algazarra. Utilizavam venenos nas pontas dos dardos e das flechas tornando estas armas mortais.
Havia uma espécie de rei, onde todos os respeitavam. O poder não era hereditário, ao morrer assumia o mais apto. Ele se distinguia dos outros índios pelo cabelo e pelas unhas.

Uma possível prova da presença de índios Tukâno fora da Amazônia pode ser encontrada na obra de Fernão Cardim “Tratado da Terra e Gente do Brasil”, datado de 1587. Em referência aos Tupi-Guaranis, ele comenta: “... além destes, para os sertões e campos da Catinga, vivem muitas nações Tapuias que se chamam de Tucanoçu, que vivem no Sertão do Rio Grande1 pelo direito de Porto Seguro2.” Além disso, existe hoje o município de Tucano, na Bahia, cujo nome tem sua origem numa possível aldeia de índios Tukâno existente na região.
1. Rio Grande = Rio São Francisco.
2. Pelo direito de Porto Seguro = indo em linha reta em direção a Porto Seguro, segundo Aryon dell’Inha Rodrigues. (Fontes de Fernando Bonetti)

Pesquisa feita na internet. Não existem muitos dados sobre os Tapuios. Se alguém possui mais alguns elementos que possa ser acrescentado ao texto ficarei muito grato em receber essas informações. Para contacto é só me enviar um e-mail.

Luiz Carlos M. Cardoso

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