Paramirim

Em busca da Cachoeira do Catuaba.

Hoje, 02/04/2006, formamos uma equipe de sete indivíduos para irmos presenciar a Cachoeira do Catuaba, todos montados em bicicletas, umas por sinal caindo os pedaços. Antes mesmo da partida, um imprevisto, houve uma colisão entre dois membros, Dudu e Thiago impossibilitando a ida do segundo participante (Thiago), os raios da roda traseira enrolaram um nos outros trancando a mesma. Agora restávamos seis. Eu (Bill), Dudu, Rodrigo, Ginho, Hemã e Alexandre.
  Caia uma fraca neblina no momento em que partíamos, muitos afirmavam ser perigoso, mas resolvemos correr o risco. Ao sair da cidade, para entrarmos na estrada de chão, a viagem perdeu o ritmo, muitos buracos, grandes subidas, descidas, poços de lamas e diversão. Chegando lá, antes de começar a subir tivemos que descer uma ladeira íngreme muito esburacada, na maior parte do tempo éramos nós que levávamos as bikes nas costas. Ao termino fiquei encantado com a passagem que se abriu pra mim, areia em abundancia, água batendo na canela, sombra das enormes árvores, local perfeito para um descanso e um bom banho. Paramos por alguns minutos, um erro fatal, deixamos as bicicletas bem no meio do córrego.
  A subida exige um pouco do corpo, mas, devagar dar para chegar tranqüilamente. Estando nós ainda na primeira parte da subida, o céu começa a mudar, uma leve neblina cai sobre nossas cabeças, o pessoal que estava na cachoeira desce com rapidez, continuamos a subir. Demorou pouco para ficarmos na companhia agradável do belo paredão. Enquanto subíamos, a serra tampava nossa visão e por trás a chuva já era forte. Só deu tempo de falar:
- Alexandre, a água da cachoeira ta aumentando!
  Ele de imediato já havia pulado no lago, o único que conseguiu entrar por sinal.
- Vamos descer que a cachoeira ta aumentando!
  Tentamos em vão o regresso, resolvemos voltar e ficar no lado esquerdo sobre a serra até a água baixar, dessa forma, abrindo passagem para prosseguirmos. Um dos nossos, Ginho, já estava do outro lado, a correnteza forte, ainda assim ele conseguiu voltar para o nosso lado com a ajuda dos amigos.
  A chuva não dava trégua, a cachoeira parecia pequena para o volume d'água que descia, o medo tomou conta, já era tarde, se a chuva não parasse, a pouco já seria noite, teríamos que esperar até o sol nascer, fiquei preocupado com a minha mãe, eu sabia que ela devia está preocupada – mãe é mãe, você sabe. Quando a noite lançasse seu manto sobre nosso hemisfério às mães dos colegas também ficariam preocupadas, isso não seria nada bom. Eu olhava para o relógio a todo instante, a chuva nada de parar, preocupado, rezei, pedir a Deus para nos dar uma forcinha, pois logo seria noite. Passado quase quarenta minutos de chuva o sol com a sua força total começou a impor-se sobre as nuvens, algo que jamais irei esquecer.
- Galera, olha o sol! A chuva vai passar.
  Eles que estavam mais acima de mim pularam e cantaram de alegria, estávamos todos ensopados, tremíamos de frio, cheguei a bater queixo.
- Olhe os pássaros! Ela agora vai passar.
  Andorinhas vinham do outro lado da serra, onde a chuva começou.
- Daqui uns vintes minutos nós poderemos descer.
  A cachoeira foi perdendo força.
  Alguém disse:
- Vamos descer.
  Rodrigo queria tirar uma foto sobre a pedra perto da cachoeira, voltou a chover.
- Rodrigo, vamos! Se começar de novo será difícil a decida.
  Alguém lembrou:
- E as bicicletas? O riacho deve ter levado.
- O que eu quero é chegar lá embaixo – afirmei.
  Aquele medo que tive antes havia passado, ganhei coragem, parecia que Deus queria me testar. Com muito esforço descemos. Seguiu um grupo a frente, Rodrigo, Hemã e Ginho, o outro ficou para trás, eu, Dudu e Alexandre. Antes de chegarmos onde tínhamos deixado às bicicletas os que já tinham chegado gritaram:
- O riacho carregou as bicicletas!
- Ou talvez alguém roubou.
- Vocês esconderam! – eu gritei.
- Tem três encima da árvore – gritou Ginho.
- Como essas bicicletas foram parar aí? – pergunta Alexandre.
  Deduzi erroneamente:
- A água na medida em que foi subindo e aumentando foi girando as bikes de um jeito que elas foram subindo na encosta do tronco até ficarem agarradas nessa galha, como um redemoinho.
  Outros disseram outras coisas, o certo é que faltava três. Fui tirar a minha bicicleta, estava toda cheia de mato, areia, enquanto os outros três começaram a descer procurando. De repente, Rodrigo grita:
-Aí! Pisei em uma cobra!
  E saiu correndo da água. Votaram ao mesmo local e de lá tiraram uma bicicleta, o que Rodrigo pensava ser a cobra era nada menos do que a roda daquilo que procurava. Mais a frente um pouquinho achou outra, faltava uma, a de Hemã, ou melhor, a de Renan. Renan havia emprestado a bicicleta a ele. Procuramos, procuramos, já estava escurecendo.
- Vamos partir.
  Como a bike de Alexandre tinha garupa ele trouxe o garoto que perdera a dele, ou melhor, a de Renan. A estrada tava tomada por lama, poça de água, as bicicletas estavam imundas, nós nem se fala.
- Dudu, o jogo já deve ter terminado.
  Naquela tarde jogavam no estádio do Morumbi, São Paulo e Santos, se o Santos vencesse ou empatasse seria campeão. Quando chegamos, paramos em frente a um bar, ficamos sabendo que o São Paulo havia ganhado de três a um, o titulo do Santos foi adiado para o domingo seguinte.
  Voltamos sãos e salvos, mas eu dou um conselho para aqueles que queiram ir para a Cachoeira do Catuaba em tempo de chuva, não é uma boa idéia, muito arriscado e perigoso, eu estive lá junto com outros cinco rapazes, pois se a chuva demorasse mais a coisa iria se complicar, já que no escuro ficaria difícil a descida. Para mim foi uma experiência e tanto, valeu a pena, mas sabendo dos ricos e das minhas poucas habilidades, no momento não retornaria lá novamente em tempo chuvoso.
  No dia seguinte ficamos sabendo que alguns amigos tinham ido para subir também, chegaram quando a chuva estava mais forte, com o riacho cheio, desistiram, mas ao atravessar na parte baixa pisaram nas bicicletas, eles foram a força que colocaram as bicicletas sobre a galha da árvore, viram como minha tese estava totalmente equivocada. A outra foi encontrada no dia seguinte por Hemã, muito abaixo do local deixado por ele.

        Texto por: Luiz Carlos Bill.

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