Todos os anos o município de Bom Jesus da Lapa recebe milhares de romeiros para os festejos em louvor ao Bom Jesus. São três dias de muita fé, devoção e peregrinação. Acontece no mês de agosto, dias quatro, cinco e seis. Na ocasião encontra-se na cidade pessoas de todas as partes do Brasil e até do estrangeiro.
Irei relatar aqui a ida da comitiva em que eu fiz parte juntamente com alguns familiares e amigos. Caso queira saber mais dessa festa veja aqui:
Bom Jesus da Lapa.
Saímos da cidade baiana de Paramirim, situada na Chapada Diamantina, no Sudoeste do estado. Somos ao todo vinte pessoas. Fretamos uma Van para nos conduzir ao respectivo destino. O veiculo saiu do município de Érico Cardoso, às 3h30min, do dia 05/08/2007. Parou defronte a porta da residência onde moro às 3h50min. Deixamos nossa cidade às 4h00min.
São 200 quilômetros até Bom Jesus da Lapa, que se encontra no oeste da Bahia. A estrada é toda asfaltada. Passamos pela cidade de Caturama, Botuporã, Tanque Novo, Igaporã, Riacho de Santana para enfim alcançarmos a Lapa do Bom Jesus. Mas antes de chegarmos à cidade baiana da fé fizemos uma pequena parada no município de Riacho de Santana para um breve lanche. Alexandrina (Xanda), Margarete e Vilma (minha mãe) havia preparado um farto café da manhã. De tudo tinha um pouco, até mesmo um delicioso frango com arroz. Nós nos fartamos em meio a tantas delicias. A parada durou cinqüenta minutos. Voltamos à estrada, todos abastecidos, para esse dia que prometia muito.
Já em Bom Jesus da Lapa, todos, menos o motorista, fomos assistir a missa realizada na Esplanada em frente à Gruta. Milhares de pessoas participavam do ato. O local estava lotado. Como eu só tinha até as 16h00min para peregrinar por muitos pontos, deixei o pessoal e junto com meu tio Luiz e seu filho Perison fomos subir o morro de encontro ao cruzeiro. Pegamos o caminho mais estreito, o que fica na Esplanada. Não dava para subir, muita gente para pouco espaço. Voltamos e fomos para a outra subida. Muita gente fazia o trajeto, o caminho mais largo possibilita o transitar de um maior número de pessoas. Em certa parte, meu tio e seu filho resolvem voltar. Eu continuei a subida. São trezentos metros até o topo ou pouco mais. O calor forte fazia meu corpo transpirar abundantemente. Nessa escalada o que se via era uma multidão fervorosa. Senhores e senhoras já de idade fazendo essa penitência. Muitos pagando promessas realizadas, outros por pura devoção. Quando chegam ao topo soltam fogos, outro atributo das promessas.
Lá do alto tem-se uma visão espetacular da região em volta. De um lado, os telhados das casas, do outro a BR 430, ao norte o imponente Velho Chico (Rio São Francisco). Todos querem tocar no Cruzeiro, ou acender uma vela para Santa, ou mesmo tocar no seu pequeno altar. O que chama mais atenção é o tiritar dos toques de duas pedras, uma pequena em uma maior. Diz a lenda que quem bater três vezes e não soar feito sino essa pobre pessoa morrerá e não mais voltará ao Santuário da Lapa. Fiquei uns quinze minutos observando e não vi sequer uma única pessoa a bater que não recebesse ao contato um barulho de sino.
Na descida deparei-me com uma mulher de uns oitenta anos ou mais a descer o morro na companhia de um homem. Pessoas novas dizem não agüentar a empreitada, mas a força de vontade e a determinação das pessoas mais de idades, que anda meio perdida nos jovens, mostram que realmente existem milagres, esse, por sinal, não seria um. Deficientes vencem a subida e a descida na esperança de uma Graça Divina. O Morro da Lapa é como uma fonte de esperança, todos que ali vão busca ser recompensado ou pagar com esse gesto por uma graça recebida.
Juntei-me com alguns do grupo e descemos pelo calçadão em direção ao Rio São Francisco. O que até pouco tempo era uma avenida em terra, hoje, recebeu pavimentação e foi alargada. Passamos em frente a vários bares, nesses, muitas pessoas divertiam em meio a som alto e cerveja gelada. Ao termino do calçadão existe o Mercado do Peixe, o cheiro forte impregna todo o ambiente em volta. Dessa parte, olhando para o Rio se ver um amontoado de caminhões e barracas. A tradição passada ainda vive nos lendários paus-de-arara. Muitos conzinha ao ar livre, não possui muita higiene por ali.
Terminou o calçadão e entramos em um caminho de terra e areia, estamos no leito seco do São Francisco, essa grande artéria do sertão não passa hoje de uma pequena veia obstruída por anos de descasos e maus-tratos. O vai-e-vem é intenso, enquanto estamos indo, outros estão voltando. Carroças são como taxis, também há muitas motos e alguns animais. O sol queima. Sequer o vento sopra. Na margem do rio os barraqueiros trabalham intensamente. Muitas pessoas banham nas águas sujas do Velho Chico. Os barquinhos estão parados a espera de passageiros. Cada barco vem batizado com um nome, o nosso foi o “Ivânia”. Acomodamo-nos todos no interior do barquinho (menos Alexandrina e Margaret) e fomos passear sobre as águas do São Francisco. Paramos na outra margem. Retornamos, desta vez, por outra rota. Passamos debaixo da grande ponte. Voltamos ao local que partimos.
De volta à cidade fui eu com meu pai e minha mãe passear pela gruta nas suas várias galerias. Havia um movimento frenético de fies a entrar e sair. Ficamos pouco tempo, pois já era hora do almoço. Demoramos um pouco para almoçar devido ao grande movimento nos restaurantes. Retornei novamente para a igreja. Andei pelos seus vários túneis. Em uma parte, bem ao fundo, notei que o teto da gruta havia cedido um pedaço, no lugar onde tinha umas estalactites lindas encontrava-se um amontoado de pedras que impõem medo só em olhar. Fiquei com medo daquilo vim a desabar e sair daquela ala. Por todos os lados encontram-se objetos deixado em pagamento a promessas recebidas: fotos, pernas e braços de paus, até uma bicicleta lá estava.
Na Esplanada, o compositor da música “Porto Solidão” “Zeca Bahia” era entrevistado por uma emissora de televisão. Filho de Bom Jesus da Lapa, e que no passado morou no município de Paramirim na Bahia. Fora inclusive músico do Grupo os Imortais (de José Barbosa Leão).
Às 16h30min deixamos Bom Jesus da Lapa de volta a nossa cidade.
Existem dias que se faz tanta coisa que parece que aconteceu em um mês, já outros, que não se faz nada e que nem parece que existiu. Há certos dias que vale mais que anos. Esse, por sinal, foi um desses.
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